ST 01 - AQUELES QUE NÃO APRENDEM COM O PASSADO ESTÃO CONDENADOS A REPETI-LO!

 

Coordenação:

Bárbara Nascimento Flores - Grupo de Pesquisa Wayrakuna/ UNEB- Universidade Estadual da Bahia

Aline Lopes Kayapó

 

Resumo do Simpósio Temático: O que vem acontecendo na atualidade com os Yanomami, aconteceu com meu povo há 200 anos atrás! Pertenço à nação indígena Borum, os remanescentes “Botocudos” de Minas Gerais (Brasil) – aquelas e aqueles guerreiros/as que enfrentaram bravamente a colonização das matas virgens ao longo dos Rios Doce, Jequitinhonha, Mucuri e das Velhas, durante os primeiros séculos desde o avanço dos colonizadores europeus em direção aos sertões mineiros em busca de ouro e pedras preciosas. Diante das violências territoriais, muitas famílias indígenas, tiveram que permanecer “caladas” para que seus descendentes pudessem sobreviver diante do projeto de extermínio declarado, sofrendo violentamente com os efeitos das influências da civilização ocidental, que chegou tão perto, à ponto, de optarem por manterem-se distantes, obrigadas a atirar no esquecimento muitas das riquezas da tradição, do pensamento e da espiritualidade indígenas. De 1500 e, de forma velada, até os dias atuais, a política indigenista brasileira foi e ainda é, sem dúvida, genocida em sua aplicação e o etnocídio e ecocídio são estratégias ainda em curso que tem o interesse de apagar as memórias originárias destas terras. E nestes últimos anos temos acompanhado o processo doloroso e lento da agonia dos Yanomami diante do avanço do garimpo ilegal em suas terras. Estamos diante de acontecimentos que achávamos que já estavam no passado. Quando os erros do passado não são contados, são apagados da história, eles podem se repetir no presente!

Diante do presente relato pessoal podemos concluir que no longo prazo, o genocídio com seus tentáculos etnocidas não exterminam os povos, mas os colocam em situações de sobrevivência extrema ao longo de muitas gerações.

Toda esta violência territorial provoca migrações compulsórias em busca de sobrevivência. A separação das famílias e perda das relações coletivas e com os territórios, desencadeia sentimentos e complexos existenciais que perduram ao longo de gerações. Relatos de suicídios, distúrbios, traumas, medo, pânico, loucura, timidez, baixa autoestima, violências interpessoais, agravados pelo alcoolismo e dependência química são algumas das consequências da colonização nos corpos indígenas das últimas gerações até a atualidade que estão presentes na oralidade das famílias indígenas que vivenciaram e vivenciam a colonização, como é o caso da minha própria família. Às feridas do período de colonização somam-se novas fraturas identitárias provocadas pela sociedade pós-moderna que continua a padronizar comportamentos e formas de pensar. E é deste imbrincamento de opressões que surgem questionamentos sobre como a colonização tem afetado de diferentes formas os corpos indígenas e especialmente indígenas mulheres. Então, surge o movimento Plurinacional Wayrakuna - uma rede ancestral-filosófica que se vincula à reflexão sobre as lutas das indígenas mulheres no Brasil e nas Américas que tem lutado bravamente na resistência contra todas as formas de epistemicídios historicamente declarados.

E desta forma esta apresentação para o Simpósio Temática almeja fazer uma releitura de como as consequências do projeto colonial, como parte integrante de um processo global, vem afetando os povos indígenas ao longo do tempo e, assim abrir possibilidades para que possamos romper com a história única eurocentrada e descolonizar nossas epistemologias para abrirmos possibilidades de outras formas de ver, ser e estar no mundo.

 

 

ST 02 - MOBILIZAÇÕES E MOVIMENTOS INDÍGENAS CONTEMPORÂNEAS NA AMAZÔNIA (1960-1980): CULTURA, IDENTIDADE E RELAÇÕES DE PODER

 

Coordenação:

Davi Avelino Leal -UFAM

Emanuel de Araújo Rabelo – UFAM


Resumo do Simpósio Temático: Partido do princípio da análise de uma “Nova História Indígena” da década 1970 até o tempo presente, desenvolvida principalmente por Jonh Monteiro e seus pares a nível nacional de uma História Indígena do Brasil e Davi Avelino Leal a nível regional de uma História Indígena na Amazônia e seus pares e que fazem um processo interdisciplinar das ciências sociais, em especial, com a Antropologia. Com isso, esta proposta de simpósio temático tem como o objetivo fazer uma reflexão histórico-antropológica dos movimentos sociais e culturais indígenas na contemporaneidade brasileira durante a ditadura militar e na ação de redemocratização do Brasil(1960-1980), dando a ênfase nos estudos sobre as populações tradicionais da Amazônia nas regiões transfronteiriças(Amazonas e Roraima), suas fronteiras e relações interétnicas, processos de territorialização, trabalho e resistência. Se utilizando um aporte metodológico e de técnicas de uma perspectiva das narrativas, práticas cosmológicas e análises de discursos indígenas (orais dentro da dinâmica da história oral) e (documentais como atas de assembleias indígenas e indigenistas, relatórios, jornais e adjacentes), das políticas indigenistas e projetos ‘desenvolvimentistas’ envolvendo esses sujeitos históricos e seus territórios.

 

 

ST 03 - ALIMENTAÇÃO INDÍGENA: ASPECTOS CULTURAIS, (IN) SEGURANÇA E SOBERANIA ALIMENTAR

 

Coordenação:

Luana de Sousa Oliveira - Instituto Federal do Tocantins-IFTO

 

Resumo do Simpósio Temático: Alimentar-se é uma necessidade fisiológica, mas o que, quando, onde, como e o quanto comemos está intrinsecamente relacionado a fatores culturais, socioeconômicos e ambientais engendrados ao longo da história humana. Quando se trata especificamente da alimentação de Povos Indígenas inúmeras pesquisas estudam os aspectos culturais da alimentação como um fator identitário dos grupos étnicos, porém ainda são poucos os registros ao considerar o número de etnias existentes e as especificidades alimentares que cada uma delas tem, o que inclui: saberes, fazeres, utensílios, entre outros aspectos materiais e imateriais de uma cultura alimentar. Logo estudos que versam sobre as culturas alimentares são necessários, pois colaboraram para a sua preservação e valorização. E ao tratar das culturas alimentares indígenas no presente momento em que se vive é tratar também da (in) segurança alimentar vivida nos territórios indígenas por diversas etnias em função de diversos fatores, a exemplo, das pressões externas decorrentes de projetos agropecuários, hidroelétricos e mineradores que impactam negativamente suas práticas tradicionais de pesca, caça, roça e coleta. As mudanças nos seus modos de acessar os alimentos, relacionados a outras questões como a prática de novas funções e contato a longo prazo não indígenas resulta em novos hábitos alimentares, fome e doenças. Essa realidade põe em risco a permanência e transmissão das culturas alimentares indígenas e a própria existência dos indígenas, já que estes estão adoecendo neste cenário de insegurança alimentar que se opõe ao direito da Soberania Alimentar que está diretamente relacionada a especificidade e diversidade de cada cultura alimentar. Assim entende-se que a cultura alimentar, a (in) segurança e soberania alimentar estão interligadas e podem ser discutidas a partir de pesquisas que abordem os temas de forma isoladas ou cruzados.

 

 

ST 04 - POLÍTICASPRÁTICAS INTERCULTURAIS INCLUSIVAS: TENSÕES, DESAFIOS E PERSPECTIVAS DA EQUIDADE PARA PROMOÇÃO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL INCLUSIVA INTERCULTURAL NOSDOSCOM OS COTIDIANOS DA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA

 

Coordenação:

Catarina Janira Padilha - Universidade Estácio de Sá - UNESA/RJ

Ana Paula dos Santos Monteiro - Universidade Estácio de Sá - UNESA/RJ
Inês Barbosa de Oliveira Universidade Estácio de Sá - UNESA/RJ


Resumo do Simpósio Temático: Os direitos fundamentais preceituados e garantidos pela Constituição Federal de 1988, na LDBEN 9.394/96, nas DCN da Educação Escolar Indígena – Resolução 05/2012 e DCN da Educação Especial – Resolução 01/2001, Diretrizes do Atendimento Educacional Especializado -Resolução 04/2009, entre outras normativas, permanecem silenciadas nos currículos cotidianos escolares e formativos. O simpósio tem como objetivo dialogar sobre as práticas interculturais e inclusivas, sobre a ótica da educação especial no contexto da educação escolar indígena, pautadas nos saberes tradicionais, cosmologias e metodologias fomentadas pelos povos originários, recursos metodológicos e de acessibilidade, os saberes tradicionais e a produção de material didático, o Atendimento Educacional Especializado aos alunos indígenas em suas comunidades, no reconhecimento da atuação docente indígena, o acesso e acompanhamento de uma equipe multiprofissional especializada e de apoio escolar, a um currículo de formação específico e diferenciado a docente indígena, nas políticas de financiamento para acesso e permanência do educando indígena na escola. Tensionados pelos múltiplos contextos apresentados é que propomos a reunir pesquisas sobre a temática, bem como relatos de experiências, narrativas dos processos formativos e práticas educativas da docência indígena, presentes nas políticaspráticas educacionais do currículo e nosdoscom os cotidianos escolares, tecendo redes de conhecimento e a construção dos sentidos da interculturalidade à luz das artesanias das práticas.

 

 

ST 05 - MULHERES INDÍGENAS NA CIÊNCIA E TECNOLOGIA E RELAÇÕES DE GÊNERO

 

Coordenação:

Rosilene Dias Montenegro - Universidade Federal de Campina Grande
Fábio Ronaldo da Silva - Universidade Estadual da Bahia
Maria do Rosário de F. A. Leitão - Universidade Federal Rural de Pernambuco

Resumo do Simpósio Temático: O Relatório Global de Desigualdade de Gênero 2023, constatou uma estagnação nas conquistas de igualdade de gênero que retarda seu progresso que a permanecer adia a paridade para o ano 2.154, ou seja, daqui a 130 anos. A desigualdade de gênero continua sendo um dos grandes problemas da humanidade que nos desafia, a nós mulheres, à luta e à reflexão constantes para desconstruí-la. Um desses campos de disputa é o da ciência, da produção de conhecimento, do reconhecimento dos saberes ancestrais seus usos e existências. Quantitativamente ainda menor do que outros grupos étnicos-raciais, as mulheres indígenas vêm obtendo conquistas de grande relevância em suas lutas e em seus anseios de autoafirmação e empoderamento e ocupando lugares de prestígio dentre eles, a política e a Ciência e tecnologia. Espaços, culturalmente tidos como masculinos e tradicionalmente de predomínio de homens. A presença de mulheres indígenas na Ciência e tecnologia pode nos ensinar muito sobre suas culturas, as nossas culturas e, principalmente, nos ajudar a nos descolonizar dessa cultura que do mesmo modo que naturalizou as desigualdades entre mulheres e homens com base numa concepção de determinismo biológico, contribuiu para o desconhecimento das culturas, epistemologias, territórios e histórias de mulheres indígenas, particularmente para os fins deste Simpósio Temático as indígenas que fazem ciência e tecnologia nas áreas da saúde, ciências médicas, biologias, educação, ciências sociais etc. Nesse sentido, este ST se apresenta como espaço de compartilhamento e construção conhecimento sobre os lugares das mulheres indígenas na ciência e tecnologia e as questões de gênero que enfrentam.

 

 

ST 06 - LITERATURA, ARTE E MÚSICA INDÍGENA EM CONTEXTO DE MINORIAS

 

Coordenação:

Rosidelma Pereira Fraga - UFRR
Damaris de Souza Silva - UFRR
Valtenir Soares de Abreu - UFRR

Resumo do Simpósio Temático: Este simpósio tem como objetivo fulcral debater estudos e pesquisas que contemplem os mais variados temas em que a cultura indígena em contexto amazônico seja o foco primordial ou em diálogo com outras literaturas e culturas em contexto local, global e universal. Nesta perspectiva, propomos abrir o leque para apresentações de trabalhos sobre a Literatura, arte e música indígena em contexto de minorias a partir do recorte do grupo de pesquisa Africanidades, literaturas e minorias sociais considerando que a relevância da rememoração e dos mitos ancestrais fazem parte do universo sagrado que envolvem os saberes advindos dos anciãos, dos avós e da cultura da oralidade e seus desdobramentos. Pretendemos evidenciar a literatura e cultura indígena como um espaço de lugar de fala, espaços de exaltação mesmo diante do cenário de tentativa de silenciando por anos, opressão de minorias sociais, invisibilidade e subalternidade. Podemos asseverar que o protagonismo indígena tem alcançado destaque em meio às artes, principalmente na literatura e pintura. As expressões da arte indígena contemporânea adentram o espaço das discussões acadêmicas e intelectuais. Um dos grandes nomes da arte indígena, o escritor Daniel Munduruku, do povo indígena Munduruku, no estado do Pará, possui mais de 53 publicações de livros sobre a cultura indígena. Destaca-se também, no mesmo sentido, o nome do escritor e antropólogo Davi Kopenawa, um xamã e porta-voz do povo Yanomami, além da escritora Eliane Potiguara, nomeada Embaixadora Universal da Paz pela Universidade de Genebra na Suíça. Da região Norte, destaca-se Sony Ferseck, poeta Macuxi roraimense e engajada nos movimentos literários, que tem viabilizado a produção de escritores locais por meio de sua Editora Wei, bem como o cantor, compositor e escritor Cristino Wapichana e o também escritor, artista e produtor cultural da etnia Makuxi, Jaider Esbell. Muitos escritores e artistas ancestrais constroem seu imaginário pelo viés da memória, da história, da oralidade, dos ritos e dos mitos. Um desses autores de renome internacional é Jaider Esbell que construiu seu imaginário artístico através do mito de Makunaima. Conforme Danielle Pitta (2017), ao fazer um estudo sobre a obra “As estruturas antropológicas do imaginário” e “Imaginação simbólica” de Gilbert Durand, estabelece uma ação de metamorfose das relações sociais através do imaginário e do mito, o que envolve uma relação intimista entre o sujeito, a coletividade e o plano cosmológico. Assim, para Gilbert Durand (2012), o mito advém de um conjunto de fatores e relações entre o homem e o seu universo. Neste sentido, Danielle Pitta (2017) também aborda a definição de Mircea Eliade (1907 – 1987) de que “o mito é a experiência existencial do homem que lhe permite encontrar-se e compreender-se” (p. 22), o que nos leva à teoria de Gilbert Durand de que os sistemas simbólicos do imaginário não são aleatórios, pois são ecos de uma visão de mundo coletiva e específica oriunda da própria cultura. Assim, divulgar a circulação da literatura e obras indígenas permite que o estudioso em contexto individual e coletivo julgue uma mesma obra em variados aspectos. Portanto, este simpósio busca debater diversos autores e suas obras a partir do contexto nacional e internacional, por meios de poesia, pintura, música, narrativas, lendas, mitos e um conjunto de cultura ancestral na contemporaneidade para além do conceito de regionalidade, posto que as obras constituem veículos de circulação nacional e internacional, tornando-se atemporal e transcultural para o povo indígena e para a literatura brasileira.

 

 

ST 07 - EDUCAÇÃO INTERCULTURAL COMO DESAFIO CONTEMPORÂREO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES INDIGENAS

 

Coordenação:

Simone Rodrigues Batista Mendes – UFRR

Jonildo Viana dos Santos – UFRR

Gardênia Maria Barbosa Cavalcante – SEED/PPGE-UERR


Resumo do Simpósio Temático: A interculturalidade enquanto fenômeno da modernidade tem descortinado necessidades interpretativas imediatas em aspectos conjunturais e estruturais em um momento histórico, em que as instituições educacionais em sociais passam por momentos de perplexidade e incertezas, sobretudo no campo da educação, e da educação diferenciada. Este simpósio tem como objetivo refletir sobre o processo de formação inicial, continuada de professores da Educação Básica e Superior na América Latina, considerando os aspectos socioeconômicos, linguísticos e culturais. Trazendo pesquisas de cunho bibliográficos, documentais, de campo, qualitativos, quantitativos, bem como relatos de experiências a partir do cotidiano acadêmico. Espera-se desse simpósio trocas de experiências teóricas e metodológicas que versem sobre a temática numa perspectiva interdisciplinar, socializando e expondo aspectos contemporâneos da complexidade e sociedade em rede. Busca-se entender como se relacionam e inter-relacionam as demandas formativas diferenciadas, concomitante a valorização dos saberes tracionais e a construção de novos saberes, desafios constantes da pratica docente do professor que atua na educação básica e superior na América Latina. Assim, formar professor na perspectiva intercultural é uma empreitada a ser vivenciada e construído no dia a dia, pois, conceito de interculturalidade e sua aplicabilidade na formação e práxis docente, é ainda uma abordagem inovadora na construção de um sujeito que compreenda hibridismo cultural em que está inserido.

 

 

ST 08 - SAÚDE MENTAL DECOLONIAL E CONTRACOLONIAL

 

Coordenação:

Ricardo Luiz Narciso Moebus - Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)
Alexandre Franca Barreto - Universidade Federal do Vale do São Francisco(UNIVASF)
Maristela de Melo Moraes -Universidade Federal de Campina Grande


Resumo do Simpósio Temático: A proposta deste simpósio é pensar uma saúde mental pluriétnica, pluriepistêmica, ou, em uma palavra, mestiça; que possa ir além dos referenciais científicos tradicionais coloniais, enquanto campo de saber e prática de cuidado. O atual campo da chamada Saúde Mental ainda que com sua rica polifonia, diversidade e multiplicidade; encontra-se vinculado originalmente ao dualismo, ao individualismo, ao subjetivismo, ao cientificismo, ao eurocentrismo, ao profissionalismo. Por outro lado, as contribuições inegáveis dos povos indígenas brasileiros, em sua imensa etnosociobiodiversidade de mais de trezentos povos ainda sobreviventes, apresentam saberes e práticas de cuidado e saúde, a partir de seus diversos mas convergentes referenciais Cosmopolíticos, que são integrais, integrativas, relacionais, comunitárias, coletivas, ritualísticas, sacralizadas, ancestrais, intuitivas, recíprocas, e, indisciplinares, pois tanto não reconhecem a fragmentação dos saberes em disciplinas, quanto não se colocam a serviço da “disciplinarização da vida”. Neste sentido, pensarmos uma Saúde Mental a partir do referencial Cosmopolítico dos povos originários do Brasil exige pensarmos uma virada e uma desconstrução do próprio campo Saúde Mental, avançando desde uma Perspectiva Antimanicomial para uma virada Decolonial, Contracolonial, até uma possível Saúde Integral Por vir.

 

 

ST 09 - ETNOPOLÍTICAS INDÍGENAS NA ABYA YALA

 

Coordenação:

Hiran de Moura Possas - Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará

Rosani de Fatima Fernandes - Secretaria Estadual de Educação Pará
Jerônimo da Silva e Silva - Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará

Resumo do Simpósio Temático: Por experiências socioculturais críticas, racionalidades indígenas exercem a autogestão de seus territórios cotidianamente frente às forçosas e históricas políticas de Estado pautadas em categorias que elegem a mercadoria como mediação social: escravidão, expropriação territorial, morte por doenças e ações predatórias de empreendimentos consorciados, dentre outros expedientes. São lugares de reelaboração concreta da vida por agências indígenas e suas políticas de etnodesenvolvimento, Bem Viver e ressignificação da modernidade. O ST objetiva por esse preâmbulo, congregar abordagens e paradigmas de diferentes campos de conhecimento, articulando temáticas que estudem etnopolíticas indigenistas e indígenas que deixem expostas as contradições do capitalismo internacional e, em significativa medida, fazem urdir respostas às crises sistêmicas. Destacamos a educação escolar; a governança digital; os planejamentos de gestão territorial e ambiental; os protocolos de consulta prévia, livre e esclarecida; o direito à livre autodeterminação e as estratégias de constituição e formação de novas lideranças, o que vem se constituindo, de forma consistente, em teorias políticas de libertação e, ao mesmo tempo, subtração das amarras capitalistas assentadas na cidadania simplesmente laboral.
Palavras-chave: Povos Indígenas. Abya Yala. Etnopolítica. Bem Viver.

 

 

ST – 10 ENSINO E APRENDIZAGEM DE LÍNGUAS INDÍGENAS, EDUCAÇÃO ESCOLAR E NARRATIVAS DOS POVOS ORIGINÁRIOS DA AMAZÔNIA BRASILEIRA

 

Coordenação:

Raimundo Nonato de Pádua Câncio - Universidade Federal do Norte do Tocantins - UFNT

Ivânia dos Santos Neves - Universidade Federal do Pará - UFPA

Francisco Edviges Albuquerque - Universidade Federal do Norte do Tocantins - UFNT

Resumo do Simpósio Temático: Sabemos das constantes e poderosas ameaças aos saberes e línguas indígenas em nosso país. Diante dessa realidade, cada vez mais se intensifica a necessidade de tornarmos nossas universidades mais inclusivas, tanto do ponto de vista do ingresso como da permanência e da finalização dos cursos de graduação e de pós-graduação dos estudantes indígenas. A presença deles começa a desconstruir a monocultura europeia do pensamento acadêmico brasileiro. Para isso é necessário continuarmos ampliando nossos espaços de escuta das vozes indígenas, com incentivos à pesquisa e ao acesso a epistemologias comprometidas com suas cosmovisões. Este simpósio tem por objetivo promover reflexões sobre ensino- aprendizagem de línguas indígenas, educação escolar e narrativas dos povos originários da Amazônia brasileira. Aqui nos interessam trabalhos que tratem de processos de ensino-aprendizagem numa perspectiva intercultural crítica e bi/multilíngue e de práticas educacionais que considerem as narrativas indígenas como fundamentais nos estudos da linguagem, seja a partir das distintas e complexas realidades sociolinguísticas dos povos indígenas, ou das experiências de sujeitas e sujeitos indígenas que começam a estabelecer um novo lugar de enunciação em nossas escolas e universidades.

 

 

ST – 11 - DIREITOS DA NATUREZA E BEM VIVER

 

Coordenação:

Mariza Rios - Escola Superior Dom Helder Câmara

Ela Wiecko de Castilho - Universidade Federal de Brasília

Edmilson de Jesus Ferreira - Escola Superior Dom Helder Câmara

 

Resumo do Simpósio Temático: A proposta deste Simpósio Temático é debater, em perspectiva interdisciplinar e intercultural, os conceitos e as implicações concretas dos direitos da Natureza e do Bem Viver, que estão sendo desenvolvidos em legislações nacionais e em instrumentos internacionais no intuito de frear a destruição do Planeta Terra, em franca aceleração, sobretudo, após o fim da Segunda Guerra Mundial. A capacidade de autorregulação e resiliência dos principais processos biofísicos do Sistema do Planeta Terra já se encontra comprometida, ultrapassando os limites e margem de segurança em escala global. De nada adiantou o conceito de desenvolvimento sustentável, pois nele a natureza é mero objeto a ser protegido para os seres humanos. Tanto assim que o direito ao meio ambiente equilibrado faz parte do rol dos direitos humanos. A postulação de uma Natureza como sujeito tem consequências em todas as políticas ambientais, na biologia da conservação, nos entendimentos sobre justiça e cidadania, e até em como são pensados a democracia e o desenvolvimento. A orientação ao Bem Viver, expressa na Constituição do Equador de 2008, contém uma crítica radical ao desenvolvimento convencional e uma abertura a alternativas sobre a qualidade de vida e a proteção da Natureza, muitas delas biocêntricas, numa perspectiva de resgate de uma noção genuína de sustentabilidade, conceito que, ao longo do tempo, tornou-se ambíguo tendo o poder econômico se apropriado dele e alterado sua essência. Portanto, sob a perspectiva do Bem Viver, o que se pretende é abrir um espaço para a proposição de uma nova epistemologia mais adequada ao debate ecológico e que possa conduzir a uma efetiva mudança na forma de pensar a educação ecológica, a elaboração e a execução de políticas públicas de ordem socioambiental.

 

 

ST 12 - TURMAS MULTISSERIADAS NA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA

 

Coordenação:

Francisco Vanderlei Ferreira da Costa - Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia da Bahia

Nahima Costa Castro Silva Pataxó – PPGER- Universidade Federal do Sul da Bahia / Escola Indígena Pataxó Tingui do Guaxuma

 

Resumo do Simpósio Temático: A educação escolar indígena é dinâmica e tem como alicerce a cultura e modos de vida da comunidade. Muitos povos indígenas vivem em pequenas aldeias/comunidades da zona rural, com poucas famílias, fato que explica a quantidade de alunos por turma (ano) menor do que as turmas da zona urbana. Nesse contexto, o sistema de ensino normalmente utiliza a estratégia de agrupar alguns alunos de idades, série/ano e conhecimentos diferentes em uma única sala de aula, regida por um único professor, formando assim, as turmas multisseriadas indígenas. Essa explicação, ao menos, é a mais recebida vinda de secretarias de educação, sejam estaduais ou municipais. A proposta deste seminário temático visa aprofundar a compreensão dos desafios enfrentados pelas turmas multisseriadas na educação escolar indígena, destacando a complexidade da realidade dessas turmas em escolas de pequeno porte. É fundamental problematizar o estigma associado a essas turmas, muitas vezes percebidas como de qualidade inferior em comparação com as escolas urbanas. As turmas multisseriadas em escolas indígenas da zona rural enfrentam obstáculos singulares: a falta de formação específica para os professores indígenas de turmas multisseriadas/multianos, a escassez de material didático adaptado e específico e a ausência de currículos adequados para essa realidade são alguns dos desafios que demandam atenção. Objetivamos, portanto, visibilizar os debates sobre as classes/escolas multisseriadas nas comunidades indígenas, almejando conhecer como os saberes dos/as docentes indígenas e demais conhecimentos interculturais têm sido mobilizados para construção de uma educação própria e com qualidade.

 

 

 

ST 13- ESCRAVIDÃO, REDUÇÃO E TRABALHO INDÍGENA NA AMÉRICA IBÉRICA

 

Coordenação:

Fernanda Aires Bombardi - Instituto Federal do Pará
Rafael Ivan Chambouleyron - Universidade Federal do Pará

 

Resumo do Simpósio Temático: A América Ibérica se constitui com base na exploração do trabalho indígena. Mesmo nos casos em que a população ameríndia passou por profundos decréscimos demográficos ao longo do primeiro século de colonização, como nas povoadas regiões do México e Andes Centrais, ou nos casos em que a mão de obra nativa cedeu lugar à mão de obra de africanos escravizados nos plantéis de açúcar ou nas minas, a centralidade do uso do trabalho indígena continuou fundamental em diversos setores produtivos em quase todo o território ibero-americano. Encomienda, mita, escravidão, administração particular e repartição foram as principais modalidades de exploração da mão de obra ameríndia amparadas pela legislação indigenista. Junto a elas, a redução de populações nativas às missões religiosas administradas por dominicanos, jesuítas, franciscanos e carmelitas esteve intimamente relacionada às práticas de inserção dessas populações aos territórios coloniais e ao mundo do trabalho. Este simpósio temático busca discutir a importância dos diversos modos de trabalho indígena e das missões religiosas para a formação econômica e social da América de colonização portuguesa e espanhola entre os séculos XVI e XIX. Serão aceitas propostas de comunicação que versem sobre formas de exploração do trabalho indígena, modalidades de escravização, reduções e práticas de missionação em todo o território da Ibero-América.

 

 

ST 14 - LITERATURAS INDÍGENAS: PELA (RE)ESCRITA DE ABYA YALA

 

Coordenação:

Graça Graúna - Universidade de Pernambuco (UPE)
Ananda Machado - Universidade Federal de Roraima (UFRR)

Fernanda Vieira de Sant' Anna - Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)

 

Resumo do Simpósio Temático: As literaturas indígenas espalham, com suas vozes originárias, as sementes de uma (re)escrita milenar de mundos possíveis. Em línguas indígenas ou nas línguas reinventadas dos colonizadores, em palavras em papel árvore-morta ou nas palavras da oralidade, seja no grafismo ou na cestaria, de urucum, jenipapo ou tinta de indústria, a palavra originária é flecha que carrega a circularidade do tempo e atravessa o pensamento colonial que ainda persiste, desdobrado em colonialidade. Mais do que meio de autoexpressão ou de memória social, as literaturas indígenas mapeiam o continente, rasurando fronteiras inventadas e reinscrevendo na terra sistemas ancestrais de um conhecimento de vanguarda. As sabedorias dos biomas do continente conversam pelas tintas, vozes e cores das literaturas indígenas em diálogos transcontinentais na construção de Futuros Ancestrais. As histórias, culturas e literaturas indígenas de Abya Yala não são iguais, nem enfrentaram (e enfrentam) os mesmos processos de opressão, mas compartilham semelhanças que nos unem em nossas diferenças. Com aporte teórico que inclui Joy Harjo (1997), Tuhiwai Smith (1999), Eliane Potiguara (2004), Graça Graúna (2013) e Márcia Kambeba (2020), este simpósio recebe trabalhos sobre literaturas indígenas de mulheres; literaturas indígenas e o antropoceno; literaturas indígenas e futurismos indígenas; literaturas indígenas e emergência climática; literaturas indígenas e a lei nº 11.645/08; literaturas indígenas e línguas indígenas; literaturas indígenas e multimodalidade; literaturas indígenas e artes visuais; literaturas indígenas, o sonhar e epistemologias encantadas.

 

 

ST 15 - REDE DE SABERES, FAZERES E MEMÓRIAS ANCESTRAIS: O USO DE TECNOLOGIAS DIGITAIS, MATERIAIS PEDAGÓGICOS E METODOLOGIAS INTERCULTURAIS CRÍTICAS

 

Coordenação:

Thelma Lima da Cunha Ramos - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia/Campus Salvador

Edson Machado de Brito (Edson Kayapó) - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia/Campus Porto Seguro

Marcelo Aranda Stortti – UNIRIO/ CEFET-RJ/ GEASUR

 

Resumo do Simpósio Temático: O objetivo deste simpósio visa discutir o uso das tecnologias digitais, a produção e aplicação de materiais pedagógicos e metodologias "outras" na construção da educação intercultural crítica e dialógica (FREIRE, 1987, CANDAU, 2008, WALSH, 2009) em articulação a rede de saberes, fazeres e memórias ancestrais (MUNDURUKU,2019), nos processos pedagógicos em contexto cultural indígena e não-indígena. Desta forma, esta proposta possibilita a inclusão e difusão dos saberes educativos interculturais, diferenciados e comunitários, tendo em vista as interseccionalidades (AKOTIRENE 2021) dos povos originários. Tem a preocupação em contribuir para o fortalecimento da memória e tradição ancestral possibilitando o enfrentamento do racismo e preconceito na educação com a mediação das tecnologias digitais (KENSKI, 2012). E busca o rompimento com o silenciamento dessas culturas na sala de aula, possibilitando a implementação da Lei 11.645/2008 para o estudo da história e cultura dos povos indígenas, para a valorização da diversidade sociocultural brasileira.

 

 

ST 16 - PERSPECTIVAS TRANSDISCIPLINARES E INTERCULTURAIS NA PESQUISA COM POVOS INDÍGENAS

 

Coordenação:

Marcilene de Assis Alves Araujo - Universidade de Gurupi - UnirG
Jocyleia santana dos santos - Universidade Federal do Tocantins - UFT

Francisco Edviges Albuquerque - Universidade Federal do Norte do Tocantins

 

Resumo do Simpósio Temático: Esse grupo temático discute pesquisas com povos indígenas, explorando conceitos de transdisciplinaridade, interculturalidade, decolonialidade ecologia dos saberes, ecoformação e educação bilíngue diferenciada. A transdisciplinaridade visa superar as fronteiras disciplinares, integrando diferentes perspectivas e conhecimentos para compreensão ampliada e holística dos fenômenos estudados. A interculturalidade reconhece e valoriza a diversidade cultural, promovendo o diálogo entre diferentes culturas e modos de conhecimento. A decolonialidade com as resistências e desconstrução de padrões, conceitos e perspectivas impostos aos povos subalternizados. Ecologia dos saberes nos provoca a rever posturas e desenvolver processos de aprendizagem inovadores. Reflexões que fundamentem iniciativas pedagógicas favoráveis a uma práxis orientada para o desenvolvimento da cidadania e participação ativas, que assim possam compreender a educação em seu sentido amplo, como uma prática formativa desses sujeitos. A ecoformação enfatiza a relação entre seres humanos e meio ambiente, buscando práticas educativas sustentáveis e ecologicamente responsáveis. Por fim, a educação bilíngue diferenciada reconhece a importância de preservar e valorizar as línguas indígenas, promovendo o ensino em duas línguas de forma equitativa, respeitando a cultura e identidade dos povos. Esses conceitos são fundamentais para uma pesquisa de abordagem mais inclusiva, ética e empoderadora.

 

 

ST 17 - POVOS INDÍGENAS E ENSINO DE HISTÓRIA: PERSPECTIVAS E DESAFIOS APÓS A LEI 11.645/2008

 

Coordenação:

Monalisa Pavone Oliveira - Universidade Federal de Roraima
Benedito Carlos Costa Barbosa - Universidade federal de Roraima

Resumo do Simpósio Temático: O simpósio temático propõe uma reflexão sobre a incorporação da história e cultura indígena no currículo escolar brasileiro. A Lei 11.645/2008 representa um marco importante, exigindo a inclusão obrigatória desses conteúdos nas disciplinas de História e Cultura Brasileira. Nesse sentido, serão abordados diversos tópicos relacionados ao ensino de história indígena, desde a implementação da legislação até as práticas pedagógicas nas salas de aula. O objetivo é promover uma educação mais inclusiva, respeitando e valorizando as múltiplas perspectivas históricas e culturais dos povos originários do Brasil. Além disso, o simpósio pretende discutir os desafios enfrentados pelos educadores na abordagem do tema, bem como destacar experiências de escolas e professores que têm desenvolvidos práticas inovadoras no ensino de história indígena. Deste modo, serão aceitos trabalhos que envolvam os seguintes temas: História e Cultura indígena nos Currículos Escolares; Diálogos Interculturais e Descolonização do Currículo; Experiências e Resistências dos Povos Indígenas na Educação; Pesquisa e Produção de Conhecimento em História Indígena. O simpósio pode envolver pesquisadores, educadores, representantes de comunidades indígenas e outros interessados na temática, visando uma educação mais plural, democrática e comprometida com a valorização da diversidade cultural. Espera-se, portanto, que o simpósio possa contribuir para a construção de uma consciência histórica mais ampla e crítica, que reconheça a contribuição fundamental dos povos indígenas para a formação da identidade nacional e para a preservação da biodiversidade e dos saberes ancestrais.

 

 

ST 18 - DECOLONIALIDADE, DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA

Coordenação:

Sérgio Ferro Pessoa - Universidade Federal do Oeste da Bahia

Lorena Lima Moura Varão - Universidade Federal do Tocantins
Natasha Karenina de Sousa Rêgo - Universidade Estadual do Piauí

 

Resumo do Simpósio Temático: O simpósio temático pretende acolher pesquisas inter/trans/multidisciplinares que coloquem em debate os estudos decoloniais na articulação com o campo dos direitos humanos. Em diálogo com Aníbal Quijano, Catherine Walsh e Walter Mignolo, Álvaro Gonzaga (2021) explica que o conceito de "descolonização" trata de estudos sobre os acontecimentos históricos de independência das ex-colônias, enquanto o termo "decolonialidade" envolve trabalhos direcionados à transformação das estruturas sociais, culturais e epistemológicas da modernidade eurocêntrica, questionando seu modo de interpretar o direito e a sociedade. Assim, sob a ótica da decolonialidade, este ST pretende construir um espaço de diálogo para a socialização de pesquisas orientadas pelas seguintes linhas de trabalho: a) direitos de povos originários e comunidades tradicionais; b) identidade, territorialidade e cidadania; c) novos processos de territorialização; d) povos em situação de fronteira; e) educação popular, interculturalidade e movimentos sociais; f) cultura, discurso e poder; g) democratização da memória, história e direitos humanos; h) educação antirracista, direitos humanos e democracia; i) colonialidade de gênero e interseccionalidade; j) assessoria jurídica popular e indigenismo; l) acesso à justiça e concretização de direitos; m) povos indígenas e comunidades tradicionais em juízo. O grupo de trabalho se interessa por estudos qualitativos baseados em metodologias como relato de experiência, história oral, etnografia, estudo de caso, análise de obra artística, pesquisa documental, revisão bibliográfica, entre outras formas de produzir conhecimento.

 

 

ST 19 - ETNOPEDOLOGIA, INSTRUMENTO DE TRANSFERÊNCIA DE SABERES ANCESTRAIS

 

Coordenação:

Valdinar Ferreira Melo - Universidade Federal de Roraima

Ednalva Dantas Rodrigues da Silva Duarte - Universidade Federal de Roraima


Resumo do Simpósio Temático: O Simpósio Temático terá como tema central a “Etnopedologia, Instrumento de Transferência de Saberes Ancestrais” debatendo o solo, elemento essencial para avida na Terra, e a relação entre suas propriedades físicas, químicas e biológicas, com o crescimento das plantas, com a segurança alimentar, com os aspectos culturais dos diferentes povos e sustentabilidade ambiental. O nosso desejo de propositores e organizadores desse simpósio é reunir e unir pessoas indígenas e não indígenas fundamentadas nas teorias cientificas e nos saberes ancestrais para apresentar e debater e transferir experiências, em andamento ou concluídas, que resultaram em informações de dados quantitativo ou qualitativo que contribuem ou poderão contribuir para a solução de problemas de interesse coletivo do bem-viver no nosso Planeta para o presente e futuro. A metodologia de desenvolvimento desse simpósio será conforme as normas do V COIMI. Assim, esperamos contribuir para maior visibilidade do solo e das questões a ele associadas, bem como para a criação de uma rede colaborativa de pesquisadores e demais estudiosos preocupados em conhecer, informar e refletir sobre o uso, manejo, cuidados e elaboração de políticas públicas direcionadas a conservação do solo.

 

 

ST 20 - POLÍTICAS LINGUÍSTICAS PARA/COM OS POVOS INDÍGENAS DO PARÁ

 

Coordenação:

Antonia Zelina Negrão de Oliveira - Universidade do Estado do Pará
Eliete de Jesus Bararuá Solano - Universidade do Estado do Pará
Messias Furtado da Silva - Universidade do Estado do Pará

 

Resumo do Simpósio Temático: Discutir políticas linguísticas para os povos indígenas, na década internacional das línguas indígenas (2022-2032), implica pensar a discussão de pautas trazidas pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a Constituição Federal do Brasil (1988) e a Convenção sobre a Proteção e Promoção da Diversidade das Expressões Culturais da Unesco (2005), que lhes asseguram o direito à utilização de suas línguas e ao exercício do protagonismo indígena, com vistas ao reconhecimento, à proteção e à valorização das línguas. O objetivo deste simpósio é promover a discussão de políticas linguísticas na educação escolar indígena e entre os povos indígenas, a partir da prática pedagógica docente vivenciada na Licenciatura Intercultural Indígena e no Mestrado Profissional em Educação Escolar Indígena da Universidade do Estado do Pará. Espera-se debater sobre bi-multilinguismo, línguas indígenas de sinais, português como segunda língua, políticas linguísticas de ensino-aprendizagem na educação básica e no ensino superior, materiais didáticos bilingues, cooficialização de línguas, a partir dos movimentos de reexistência empreendidos há mais de cinco séculos de história pelos povos indígenas do Brasil. Esses movimentos alicerçam-se ética, filosófica e politicamente, em letramentos de reexistência difundidos pelos povos indígenas através das múltiplas linguagens utilizadas e das línguas por eles faladas.

 

 

ST 21 - AFROINDIANIDAD EN LA ABYAYALA. LA ETNOGENESIS DE UNA REALIDAD SOCIAL, POLÍTICA Y CULTURAL EN COMUNIDADES MESTIZADAS INDIO-AFRICANO.

 

Coordenação:

Fran Manolo Morales Rada - Universidad Bolivariana de Venezuela. Centro de estudios de Pueblos y Culturas Indígenas (CEPCI-UBV)


Resumo do Simpósio Temático
: El trabajo nos lleva a revisar algunas situaciones etnohistóricas que hicieron posible las interacciones entre las sociedades nativas de la AbyaYala, y los africanos secuestrados y esclavizados en nuestro continente durante la colonización. Este hecho es la mayor acción genocida realizada por la voracidad imperialista de los europeos y dio origen a la modernidad occidental. Una de las consecuencias de esa etapa es el surgimiento de una población derivadas de las uniones conyugales, formales e informales, entre indígenas y afros, lo cual origino una mescla étnica que hemos conceptualizado como afroindígenas. Este particular mestizaje viene produciendo secuelas socioculturales y ha tenido un impacto fundamental en la estructuración de los llamados sectores populares o marginales latinoamericanos, tanto en los ámbitos urbanos como rurales. En la investigación que desarrollamos estudiamos el pueblo originario Tomuzas y la posible etnogenesis de una población, que reivindica sus raíces étnicas indígenas y africanas. Algunas categorías que caracterizan a estas sociedades son factores recurrentes en toda la AbyaYala, trayendo consecuencias sociales, políticas y culturales. Con aspectos significativos como la pobreza y la exclusión, que se contrapone con diversos elementos culturales relacionados con las artes en el contexto de la llamada cultura popular en particular la música, el ritmo y el movimiento. Para este estudio se tomaron de referentes países centroamericanos y caribeños, y la gran mayoría de las naciones suramericanas. Todos tienen comunidades que reconocen su condición afroindígena y comparten estas características.

 

 

ST 22 - OS DESAFIOS DOS INDÍGENAS NO CONTEXTO MIGRATÓRIO: PORTUGUÊS COMO LÍNGUA DE ACOLHIMENTO

 

Coordenação:

Cora Elena Gonzales Zambrano - Universidade Estadual de Roraima

Danielle da Silva Trindade - Universidade Federal de Roraima

Resumo do Simpósio Temático
: A língua é um fenômeno social utilizado coletivamente por todos os falantes que partilham uma mesma cultura, suas múltiplas subculturas, e com fronteiras culturais permeáveis recebem influência e influenciam outras comunidades culturalmente diferentes. É um fenômeno de natureza sóciocognitivo, que depende das interações sociais para ser ativada, é um processo que está sempre em formação, decomposição e recomposição, dadas as transformações culturais e cognitivas de seus falantes, e afirma, ainda, que língua é contexto, interação, pois, dentro dela encontram-se aspectos cognitivos e culturais que são indissociáveis. Desse modo, a língua é o primeiro instrumento de interação social utilizado para estabelecer comunicação entre os sujeitos que a utilizam na interação verbal. O presente simpósio propõe o debate sobre os desafios indígenas em contexto migratório: os marcos legais, as barreiras linguísticas e o português como língua de acolhimento, relações interculturais, expectativas, percursos e possibilidades de garantia à educação e promoção social.

 

 

ST 23 - MOBILIDADES E TRAJETÓRIAS INDÍGENAS

Coordenação:

Raphael Rodrigues - Instituto Federal Baiano
Amanda Jardim - Universidade Federal de Minas Gerais

 

Resumo do Simpósio Temático: Os conceitos de movimento, transformação e fluidez têm sido utilizados em larga escala por antropólogos para explicar as mobilidades indígenas. As diversas formas de ir e vir das pessoas, objetos e conhecimentos podem conformar estratégias concretas na e para a constituição de sujeitos, famílias, comunidades e grupos étnicos. No entanto, em contraposição a uma abordagem da mobilidade indígena enquanto expressão de um “devir fugidio”, este Simpósio Temático visa reunir trabalhos que versem sobre como se constituem migrações e deslocamentos - e o que produzem no compulsório e/ou desejável transitar. Se a migração, em suas diversas escalas, aparece nas etnografias implicadas em processos de (re)afirmação identitária, contextos de deslocamentos forçados e funcionamento das redes de parentesco, interessa-nos, sobremaneira, pesquisas etnográficas concluídas ou em andamento que versem sobre as inúmeras possibilidades advindas dos movimentos dos sujeitos, objetos e conhecimentos indígenas. Em suma, este simpósio aceitará trabalhos que abordam trajetórias indígenas cuja mobilidade se destaca. Nesse sentido, interessa-nos a importante e recente produção acerca de estudantes e lideranças indígenas que têm vivido com um “pé na aldeia e um pé no mundo”; pesquisas que investiguem as relações entre objetos-memória e a transmissão de conhecimentos em contextos de trajetórias moventes; a produção narrativa sobre as viagens e as memórias construídas no percorrer caminhos; e acerca de sujeitos, famílias e grupos que se constituíram a partir de deslocamentos compulsórios ou não.

 

 

ST 24 - VOZES, CORPOS, LETRAS: A LITERATURA INDÍGENA E A HISTORIOGRAFIA LITERÁRIA BRASILEIRA

 

Coordenação:

Fabíola Guimarães Pedras Mourthé - Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas

Viviane Cristina Oliveira - Universidade Federal do Tocantins

 

Resumo do Simpósio Temático: No capítulo intitulado “Iniciações”, do livro Contrapontos da Literatura Indígena Contemporânea no Brasil, Graça Graúna (2013, p. 15) apresenta a literatura indígena enquanto “lugar utópico (de sobrevivência)”, espaço tecido na potência épica da oralidade, em que vozes silenciadas no duradouro e extensivo processo de colonização podem se encontrar. Considerando a representação por vezes estereotipada em relatos, crônicas e romances e/ou o apagamento de corpos e vozes indígenas nos panoramas historiográficos da literatura brasileira, bem como considerando a relevância da produção de autores e autoras indígenas que, na contemporaneidade, desafiam os cânones, neste simpósio almejamos reunir trabalhos dedicados tanto aos silenciamentos como às representações das vozes indígenas na literatura brasileira. São bem-vindos trabalhos que discutem questões relacionadas à representação indígena na literatura brasileira, à história literária indígena e mesmo aos arquivos (o apagamento, as representações) desde o Brasil colonial até a contemporaneidade. Esperamos reunir em diálogo propostas voltadas à percepção do potencial dos textos narrativos e poéticos que pertencem a grupos étnicos sistematicamente excluídos da cultura moderna do impresso, grupos que nos conduzem a repensar um estar no mundo de forma mais ética, que considere, tal como sugere Eduardo Viveiros de Castro (2006, p. 356) ao tratar do “perspectivismo ameríndio”, um “referencial comum a todos os seres”, um referencial que considere a humanidade não como espécie, mas como condição.

 

 

ST 25 - POVOS INDÍGENAS E A FORMAÇÃO DOS ESTADOS NACIONAIS NA AMÉRICA

 

Coordenação:

Francisco Eduardo Torres Cancela - UNEB

João Paulo Peixoto Costa - IFPI/UESPI
Tatiana Gonçalves de Oliveira - UESPI

Resumo do Simpósio Temático: No longo século XIX nas Américas, as profundas transformações político-ideológicas atingiram decisivamente a vida dos povos indígenas. Desde aqueles grupos com séculos de relações com a sociedade colonial até os que ainda conseguiam manter sua autonomia política e territorial, todos foram impactados de diferentes formas pelas ideias e práticas políticas da chamada “Era das Revoluções” que resultaram na crise do sistema colonial, nos processos de emancipação e na formação de novos Estados Nacionais. Nesse período de transformações, o antigo modelo de sociedade corporativa típico do Antigo Regime assistiu a chegada fulminante do liberalismo, que trouxe consigo conceitos como o de cidadania, propriedade, Constituição e nação. No percurso tortuoso dos setores subalternizados durante a formação dos Estado Nacionais americanos, os variados povos indígenas se posicionaram de maneiras diversas diante daquela conjuntura, levando em conta suas próprias experiências históricas, processos de territorialização e identidades étnicas. Os caminhos trilhados pelos indígenas também foram múltiplos: atuaram individual e coletivamente, lutaram no campo militar e também jurídico-administrativo, construíram alianças e rupturas com os segmentos sociais dominantes. Tendo em conta esse universo de possibilidades, o presente simpósio temático busca promover um espaço de diálogo e análise da participação indígena na formação dos estados nacionais na América, reunindo estudos sobre diferentes processos históricos vividos pela população indígena nesse contexto e críticas historiográficas sobre o lugar dos indígenas na invenção das nações americanas.

 

 

ST 26 - O SER, O COSMOSENTIR E A COSMOVISÃO DE POVOS MILENARES NO CONTEXTO DO ENSINO ESCOLAR BÁSICO E SUPERIOR


Coordenação:

Gilvânia Plácido Braule - Universidade Federal do Amazonas

Tânia Suely Azevedo Brasileiro - Universidade Federal do Oeste do Pará
Suely Aparecida Nascimento Mascarenhas - Universidade Federal do Amazonas

 

Resumo do Simpósio Temático: Resumo: O avanço das políticas internacionais de Direitos Humanos e de Educação na segunda metade do século XX e nestas três primeiras décadas do século XXI demonstra que os povos milenares, a passos lentos, caminham pela garantia de Direitos e de reconhecimento enquanto gente e ser biocultural que pelo seu cosmosentir e cosmovisão própria caracteriza seus saberes e seu bem-viver junto a outros seres pensantes e não-pensantes do seu meio natural e sociocultural, possuidor de uma história de milhares de anos enquanto civilizações que possuem características de organização social e política e modos de viver de extrema conexão com outros seres das águas, da terra de florestas e campos e do cosmo. No entanto, a negação da sua existência e desvalorização destes como seres de saber e cidadãos acontece ao longo da história da colonização como imposição velada na tentativa de anular a existência milenar daqueles que ainda resistem com suas culturas e suas línguas originárias, sobretudo na Amazônia. Com pauta nesta compreensão, o Simpósio Temático propõe uma discussão a partir de estudos e reflexões concluídas ou em andamento trazendo ao seu bojo práticas educacionais que contemplem a história, a cultura, a língua, as artes, as epistemologias próprias e a ecoculturalidade como elementos que pulsam a valorização indígena em todos os campos do saber em meio aos contextos de ensino escolares da educação básica e da educação superior, na tentativa de fortalecer culturas de povos milenares e práticas de preservação e conservação da natureza.
Palavras chave: Povos milenares. Cosmovisão e Cosmosentir. Educação Básica e Superior Indígena. Amazônia.

 

 

ST 27 - MUJERES: TRANSFORMACIONES DE LAS IDENTIDADES Y DE LAS RELACIONES DE GÉNERO EN CONTEXTOS DE MIGRACIÓN Y FLUIDEZ

 

Coordenação:

Eduardo Arturo RUIZ URPEQUE - Pontificia Universidad Católica del Perú

Lisseth Patricia Vega Lázaro -  Escuela de Posgrado Pontificia Universidad Católica del Perú
Thais Luksic Macchiavello -  Flacso Ecuador

Resumen del Simposio Temático: El panel propone discutir las transformaciones de las identidades y las relaciones de género en la Amazonía, en medio de la migración y las emergencias de nuevas agencias y autonomías femeninas, luego del debilitamiento de las instituciones propios de las sociedades indígenas que operaban como mecanismos de seguridad social hacia la mujer y los hijos (patrón de residencia matrilocal, el servicio de la novia, evitación de los suegros, etc.). Asimismo, se pretende explorar la instauración de nuevas formas de alianza, apoyo o seguridad de las mujeres en la ciudad.
Desde un determinado punto de vista las transformaciones en las relaciones de género en las últimas décadas y los evidentes cambios en las identidades de mujeres, y de varones, estarían vinculados con los flujos de migración acelerados, la fluidez de la intercomunicación urbano-rural, los cambios en los rituales (y en su escenificación).
Las nuevas formas de protagonismo femenino, o de agencia femenina, estarían vinculadas con la mayor autonomía y libertad de las que gozan en la actualidad, en las posibilidades hasta ahora inéditas de migraciones, en la necesidad de hacer frente al machismo y a la violencia, en las transformación de los regímenes de matrimonios arreglados por la familia a decididos por los contrayentes.
El Simposio privilegiará la discusión del par transformación / cambio, así como de otros pares centrales en estos procesos como los de ciudad / campo, urbano / rural, ritual / escenificación.

 

ST 28 - A RECONEXÃO DE SABERES NO ANTROPOCENO

Coordenação:

Maria Alejandra Rosales Vera Barbosa - Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena - UFRR

José Gerbasio Cañizales Castillo- Mestrando em Ciências Ambientais - Ecologia Aplicada (UNEG/Ciudad Guayana)

 

Resumo do Simpósio Temático: “A ciência sempre existiu. Assim como sempre houve a noite e o dia, sempre houve também o conhecimento, a busca do conhecimento pelos seres e uma imensa escuridão que precisamos ser capazes de atravessar”. Ailton krenak (2020)
Este simpósio temático é uma proposta de conversatório pluriepistêmico destinado a intercambiar experiências de reconexão de saberes-fazeres-sentires ancestrais realizados em âmbitos de formação intercultural na Abya Yala, seja em Centros de Pesquisa e Ensino, Universidades ou quaisquer outros espaços coletivos que já estabelecem diálogos e relações entre os distintos conhecimentos. Queremos refletir sobre a ciência hegemônica, eurocêntrica e antropocêntrica ocidental, que vem levando aos seres humanos a uma profunda desconexão com Gaia/Cosmo/Natureza e com a própria vida, provocando desequilíbrios ambientais e desastres ecológicos e sociais imponderáveis. Nesta perspectiva, entendemos que é urgente e necessário reconectarmos com as distintas cosmovisões e entendimentos sobre a vida e suas diferentes conexões, de maneira que possamos transformar nossas práticas e ações presentes, para assim talvez, adiarmos o fim. Acreditamos portanto na construção de diversidade na Universidade e estaremos acolhendo textos e apresentações orais em diferentes formatos e em todas as áreas –cientificas-tecnológicas, antropológicas, humanísticas e artísticas- de autoria individual e/ou coletivas que sejam relevantes ao contexto e objetivos propostos.

 

ST 29 - RESISTÊNCIAS DAS POPULAÇÕES TRADICIONAIS NO BRASIL, NA AMAZÔNIA E NA LATINO AMÉRICA E CARIBE

 

Coordenação:

Jaci Guilherme Vieira – UFRR

Maria Jose dos Santos - UERR

Resumo do Simpósio Temático: A ideia desse Grupo de Trabalho, RESISTÊNCIAS DAS POPULAÇÕES TRADICIONAIS NA AMAZÔNIA E NA LATINO AMÉRICA E CARIBE ( 1964 2024) tem como um dos objetivos retomar a tese central do professor John Monteiro que afirma no seu Trabalho de livre docência que, quando os índios forem considerados sujeitos históricos, e os múltiplos processos de interação entre suas sociedades e as populações que surgiram com a colonização europeia forem recuperados “páginas inteiras da história do pais serão reescritas, e ao futuro dos índios reservar-se-á um espaço mais equilibrado e, quem sabe otimista (Monteriro,1985, pag.228) Com essas palavras, John Monteiro finalizava, em 1995, um capítulo sobre os desafios da História indígena no Brasil e conclamava os historiadores a enfrentarem a tarefa.
Outra grande historiadora, Maria Celestino de Almeida, ao fazer a crítica ao marxismo ortodoxo, aponta que mesmo uma história marxista dos anos 60 e 70 não foi capaz de destruir o caráter heroico colonizador, mantendo a perspectiva anterior ao seu desempenho à medida que não trouxe a luz as diversas lutas travadas pelos diversos povos sejam no Brasil ou na América Caribenha. Para ela “os povos indígenas, passaram a ser mais valorizado pelos historiadores apenas na década de 1990. Desde então, o que tem mudado em nossa história? Qual a importância de incorporá-los como sujeitos?
“Embora ainda lentas, as mudanças, além de significativas, são de importância fundamental do ponto de vista acadêmico, social e político, tanto para os povos indígenas quanto para os não indígenas”. (Almeida, 2017) Essa perspectiva, de protagonismo poderá ser encontrado em alguns trabalhos, entre eles indicamos os estudos de Wania Alexandrino Viana (2019) que demonstra como a gente de guerra formado pelos povos indígenas foram essenciais para manter a dilatada fronteira do cabo norte na primeira metade do século XVII. Portanto, as categorias analíticas da nova história indígena vêm reescrevendo a história do país.

Segundo Manuela Carneiro (2018) da cunha a constituição de 1988, foi um marco para os direitos territoriais dos povos indígenas, seus argumentos são ratificados por Gersem Baniwa (2012), ao afirmar “que antes desta data os direitos indígenas tiveram como fundamento principal a integração a comunhão nacional”, feita entre outros elementos, através do regime de tutela o que se desdobrou com frequência na perda de seus territórios ou mesmo eliminação física. Apesar dos projetos de tutela, de colonização e mesmo da tentativa de invisibilizar os povos originários, verificamos que estas populações seguem vivenciando seu cotidiano e resistindo aos ataques direitos e sendo sujeitos ativos da história.

Exemplos dessas lutas não faltam no Brasil, a organização dos Povos Indígenas, tanto do extremo norte como no extremo sul, vem sendo construída desde a década de 1970, quando ocorrem os primeiros encontros que foram se transformando em assembleias, entre elas destacamos a I primeira Assembleia de Tuxauas e lideranças Indígenas no Surumú -RR em janeiro de 1977. A famosa Assembleia, em São Miguel das Missões-RS no mesmo ano e em datas próximas. Foi a demonstração de que os caminhos dos Povos Indígenas de Roraima e do Rio Grande do Sul, regiões entre extremos do Brasil, reúne pessoas de lugares distantes predispostos a organizar as pautas das lutas e finalidades em defesa de seus territórios, saúde, educação e cultura.
Pensando nesta perspectiva em jogarmos mais luz sobre o protagonismo das populações tradicionais na Latino América e Caribe que esse Grupo de Trabalho tem sua razão de existir, especialmente num momento tão importante como este, pois tem havido um avanço muito forte de governo de conciliação de classe, governos de direita ou e extrema direita em vários países que ao longo das suas existências tem retirado direitos já consolidados como a demarcação das terras indígenas, avanço do garimpo, deixando um largo rastro de destruição visíveis no dia a dia não so dos povos indígenas mas de ribeirinhos, dos coletores de castanha, dos povos da floresta. Em contrapartida os povos tradicionais da Latino América têm demonstrando uma resistência incrível em enfrentar esses governos e mantendo uma agenda de mobilização contra o latifúndio, contra o agronegócio em especial na Amazônia onde o empenho do capital tem demostrando um interesse voraz por suas terras.

 

 

ST 30 - INTELECTUAIS INDÍGENAS, (ANI/DE/CONTRA) COLONIALISMO E ONTOEPISTEMOLOGIAS PLURAIS NO TEMPO PRESENTE

 

Coordenação:

Mariana Bruce - UFF
Alessandra Gonzalez de Carvalho Seixlack - UERJ

Resumo do Simpósio Temático: A proposta do Simpósio Temático é reunir trabalhos que se debruçam sobre as contribuições das e dos intelectuais indígenas de Abya Yala, tanto no sentido dos distintos caminhos de enfrentamento ao colonialismo, como de elaboração e expressão de ontoespitemologias plurais gestadas nos processos de luta e conflito nos quais estão envolvidas e envolvidos. Confere-se destaque à dimensão ontoepistemológica na medida em que esta engendra e amplia as possibilidades de conceber os processos de produção do conhecimento e também de compreender a própria natureza da nossa existência no mundo, produto de performances historicamente situadas. Assim, ao questionar as estruturas coloniais que se perpetuam mesmo após a independência e o racismo que anula as existências, práticas de mundo e subjetividades indígenas, a atuação das e dos intelectuais indígenas cumpre um papel importante de superar a subalternização, distanciando-se de um caráter pretensamente objetivo e universal reivindicado pela história ocidental e conferindo ênfase aos mundos e corpos de onde partem as ideias, com todas as implicações que derivam dessa condição. Se, por um lado, os intelectuais indígenas sempre existiram, por outro, a partir da segunda metade do século XX, observa-se com maior visibilidade a ruptura destes com os mediadores que falavam por elas, eles e seus povos. O ingresso de indígenas na Cidade Letrada, onde passam a dominar o idioma colonial e a escrita, contribuiu para que suas vozes ecoassem mais alto e com maior protagonismo no Tempo Presente. Essa realidade faz parte também de um processo mais amplo, de crise de hegemonia da ontologia moderna, na qual as diferenças e conflitos ontológicos ganham visibilidade e potencialidade.

 

ST 31 - AS AGÊNCIAS DOS POVOS INDÍGENAS NO BRASIL REPUBLICANO: POR UMA OUTRA NARRATIVA DA HISTÓRIA

 

Coordenação:

Michelle Reis de Macedo - Universidade Federal de Alagoas

Ivanilson Martins Xokó - Universidade Federal Rural de Pernambuco

Carine Santos Pinto - Universidade Federal Rural de Pernambuco

Resumo do Simpósio Temático: Durante o século XIX e grande parte do XX, a escrita da História reproduziu narrativas que silenciavam os povos indígenas enquanto agentes históricos. Esse imaginário reforçava a ideia de que, por extermínio físico ou assimilação à civilização, a tendência era o desaparecimento desses povos. Acreditava-se que seus modos de vida eram incompatíveis com o progresso da nação. Até recentemente essa crença sustentava políticas indigenistas e análises acadêmicas, provocando resultados desastrosos. Mas nas décadas de 1970 e 1980, a luta e o caráter educativo do Movimento Indígena impuseram à sociedade uma revisão nas suas concepções sobre eles, resultando em avanços jurídico-políticos dos direitos indígenas e em revisões científicas. Desde então, pesquisas históricas sobre a temática indígena ganharam notoriedade. No entanto, se para os períodos colonial e imperial da História do Brasil o avanço foi significativo, o mesmo não ocorreu para o recorte temporal mais recente. Este diagnóstico pode ser, em parte, explicado pelo velho mito do desaparecimento, ainda arraigado na sociedade brasileira, sustentada por concepções racistas, que acreditam na incapacidade de sobrevivência dos povos indígenas ao desenvolvimento econômico do país. Portanto, este Simpósio Temático pretende debater pesquisas que desconstruam essas crenças sobre os povos originários, demonstrando sua ocupação de espaços sociais diversificados como estratégias de (re)existência ao longo dos séculos XX e XXI. Serão bem vindos trabalhos que priorizem narrativas sobre a história do Brasil republicano que destaquem os povos indígenas como agentes históricos, políticos e sociais.

 

 

ST 32 - LÍNGUAS INDÍGENAS DE SINAIS - LIS, LÍNGUAS EMERGENTES DE SINAIS – LES E LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS – LIBRAS

 

Coordenação:

Alan Ricardo Costa - Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC)

Jaelson da Silva Santos – Unicamp

David Kaique Rodrigues dos Santos - Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB

 

Resumo do Simpósio Temático: Este Simpósio Temático se propõe a agregar trabalhos que envolvam discussões sobre Estudos a respeito das Línguas Indígenas de Sinais - LIS, Línguas Emergentes de Sinais – LES e Língua Brasileira de Sinais - Libras, com intuito de ampliar discussões a respeito do plurilinguismo para potencializar políticas linguísticas que desconstruam a cultura fortemente monolíngue existente no país. Para tanto, almejamos agregar pesquisas que envolvam estudos teóricos e/ou práticos sobre a situação histórica das LIS, da Libras e das LES no que concerne aos estudos sobre os aspectos linguísticos que abarquem reflexões e reformulações metodológicas de línguas de sinais, e que favoreçam estudos no plano de análise e descrição de línguas de sinais nativas, original e nacional, além de permitir uma revisão literária a respeito da diversidade linguística e sua função social, cultural e política em vários contextos sociais, escolar, acadêmico, sob um enfoque político linguístico das línguas de sinais existentes no Brasil. Espera-se
ao fim deste ST que haja resultados de pesquisas que possam ser divulgados para a comunidade acadêmica e sirvam de “caminho” para o reconhecimento e oficialização das Línguas Indígenas de Sinais das diversas etnias indígenas brasileiras.

 

 

ST 33 - LÍNGUAS ORIGINÁRIAS, POLÍTICAS LINGUÍSTICAS E POLÍTICAS DE ENSINO

 

Coordenação:

Bethania Mariani (UFF/CNPq/FAPERJ)

Tania Conceição Clemente de Souza (Museu Nacional/UFRJ/CNPq/FAPERJ)

Luciana Nogueira (UFSCar)


Resumo do Simpósio Temático: O presente Simpósio convida trabalhos que, na articulação teórica entre educação, discurso e políticas linguísticas plurilíngues, analisem práticas inscritas em prol da sustentabilidade e preservação das línguas originárias, tendo em vista a afluência cada vez mais frequente de alunos, professores e pesquisadores indígenas às universidades. Especificando um pouco mais, interessa discutir políticas de escrita, políticas de ensino públicas ou autogestionadas voltadas ao ensino de línguas originárias, bem como ao ensino de português, e à produção de material didático específico bilíngue. Todas essas práticas estão associadas ao desenvolvimento de políticas linguísticas que visam a um trabalho de formulação de/com outros saberes sem apagar o conhecimento e saberes de linguagem perpassados através de práticas milenares. Convidamos, enfim, trabalhos que promovam gestos de visibilidade às tensões e contradições, às disputas de sentidos tramadas em relações de força que se inscrevem no espaço discursivo do trabalho com povos e línguas originárias.

 

 

ST 34 - ABORDAGENS DA HISTÓRIA INDÍGENA: SAÚDE / BEM VIVER EM PERSPECTIVA DECOLONIAL (SÉCULOS XVI-XXI)

 

Coordenação:

Kaori Kodama - FIOCRUZ
Carolina Arouca Gomes de Brito

Juciene Ricarte Apolinário

 

Resumo do Simpósio Temático: Desde os anos 1990 a história indígena tem ganhado destaque e relevância na historiografia brasileira. A partir de uma perspectiva crítica e interdisciplinar, o crescimento da produção bibliográfica se estende e se avoluma nos dias de hoje, com a participação de vozes indígenas, transformando o debate historiográfico, a compreensão/organização das fontes, bem como as possibilidades de se narrar as diversas histórias invisibilizadas. É o caso da temática sobre os saberes ancestrais dos povos originários na busca pelo bem viver (saúde do corpo e da alma), desenvolvidos na estreita relação com a natureza, especialmente construindo etnociência a partir do uso das plantas, banhas, defumadores e práticas espirituais nos processos de curas e nas travessias de fronteiras interétnicas em que estabeleceram interlocuções com os não-indígenas e as políticas públicas desde o advento do Estado. Hoje, porém, outros caminhos de diálogos vêm sendo possíveis nos processos de interculturalidades e decolonialidades denominados de intermedicalidade e etnomedicina. Neste cenário, o presente Simpósio Temático aceitará contribuições que, a partir dessa reorientação historiográfica possam adensar o debate na área da história das ciências e da tecnologia, refletindo sobre os processos de construção da memória e da história indígena, revisitando práticas e saberes relativos ao bem-viver/saúde, os discursos científicos e as políticas públicas de saúde voltadas para os povos originários no longo período que se estende do século XVI até os dias atuais.

 

 

ST – 37 - PERSPECTIVAS TRANSDISCIPLINARES E INTERCULTURAIS NA PESQUISA COM POVOS INDÍGENAS

 

Coordenação:

Marcilene de Assis Alves Araujo - Universidade de Gurupi - UnirG

Resumo do Simpósio Temático: Esse grupo temático discute pesquisas com povos indígenas, explorando conceitos de transdisciplinaridade, interculturalidade, decolonialidade ecologia dos saberes, ecoformação e educação bilíngue diferenciada. A transdisciplinaridade visa superar as fronteiras disciplinares, integrando diferentes perspectivas e conhecimentos para compreensão ampliada e holística dos fenômenos estudados. A interculturalidade reconhece e valoriza a diversidade cultural, promovendo o diálogo entre diferentes culturas e modos de conhecimento. A decolonialidade com as resistências e desconstrução de padrões, conceitos e perspectivas impostos aos povos subalternizados. Ecologia dos saberes nos provoca a rever posturas e desenvolver processos de aprendizagem inovadores. Reflexões que fundamentem iniciativas pedagógicas favoráveis a uma práxis orientada para o desenvolvimento da cidadania e participação ativas, que assim possam compreender a educação em seu sentido amplo, como uma prática formativa desses sujeitos. A ecoformação enfatiza a relação entre seres humanos e meio ambiente, buscando práticas educativas sustentáveis e ecologicamente responsáveis. Por fim, a educação bilíngue diferenciada reconhece a importância de preservar e valorizar as línguas indígenas, promovendo o ensino em duas línguas de forma equitativa, respeitando a cultura e identidade dos povos. Esses conceitos são fundamentais para uma pesquisa de abordagem mais inclusiva, ética e empoderadora.

 

ST 38 - PATRIMÔNIOS E TERRAS INDÍGENAS NA ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE (1987-1988)


Coordenação:

Yussef Daibert Salomão de Campos - Universidade Federal de Goiás

Resumo do Simpósio Temático: A Constituição traz, em seus artigos 216 e o 231, a normatização do patrimônio cultural e a definição de terras indígenas. Além deles, o artigo 67 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) determina que as terras indígenas deverão ser demarcadas pelo Estado. O que esses artigos têm em comum? Como o processo desenvolvido nas entranhas da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) se deu para que tais artigos se consolidassem no texto final como passamos a conhecer a partir da promulgação da Constituição? Para Bourdieu, no “texto jurídico estão em jogo lutas” (2007, p.213), e no processo de construção desse texto, como a ANC, fazem-se expressar “lutas das representações”, “lutas a respeito da identidade” (p. 113), a “dominação simbólica” (p. 117), “luta coletiva pela subversão das relações de forças simbólicas” (p. 124), “a conquista ou a reconquista de uma identidade” (p. 125). Certamente estamos diante do que Prats nomeou de “patrimônios incômodos” (2009, p. 89), não tendo o texto jurídico conseguido “dar vazão a toda uma complexa realidade fundiária que historicamente oprimiu e continua a fazê-lo" quando se trata das territorialidades periféricas no Brasil (Lobo; Bertusse, 2010, p. 206). As relações entre cultura e lugar, cultura e território foram empreendidas pelo congressista constituinte, ao que, em outra oportunidade (Campos, 2022), chamei de conveniência política pois, de um lado, atribuiu-se reconhecimento identitário às culturas até então marginalizadas pelas políticas públicas desenvolvidas através do patrimônio (artigo 216), mas por outro, postergou o enfrentamento da espinhosa Reforma Agrária ao se desvincular a conceituação de terras indígenas das práticas culturais a elas relacionadas, em dialética entre lugar e articulação política (Gupta; Ferguson, 2000, p. 33). Assim, essa proposta de trabalho pretende discutir como a reivindicação por patrimônios é também reivindicação e demarcação de terras indígenas.

 

 

ST 39 COSMOLOGIAS INDÍGENAS NAS LINGUAGENS: CULTURAS E ARTES ANCESTRAIS/CONTEMPORÂNEAS

 

Coordenação:

Adriana Albano (UFRR); 

Pedro Mandagará (UNB); 

Huarley Mateus do Vale (UERR)

 

Resumo do Simpósio Temático: Este simpósio intenta proporcionar uma reflexão sobre a produção artística dos povos indígenas e suas diversas atuações como modo de resistência étnica no Brasil. Os múltiplos campos e as novas formas de interação, com frequência, impostas aos povos indígenas, re-criam e re-afirmam cosmologias e processos identitários em outras lógicas de tempo e espaço, levando à reorganização dos nossos mundos. Tais articulações culminam em práticas culturais, artísticas, literárias e de outras semioses, que apontam os saberes indígenas e sua ancestralidade/contemporaneidade demandando a proteção e preservação dessa forma de ver o mundo. Entendemos que os diferentes discursos artísticos e performáticos engendram ações políticas que rompem silenciamentos históricos e compartilham linguagens, sociologias, psicologias, naturezas e sobrevivências nas suas línguas e formas de interagir com o mundo. Atuam para a autodeterminação, apresentando suas próprias versões da história e garantindo intervenções para transformar as instituições (educacionais, políticas, sociais). Os trabalhos apresentados neste simpósio devem refletir, portanto, sobre aspectos artísticos e literários indígenas e suas cosmologias. Também nos interessam estudos que dialoguem sobre cosmo-identidades ancestrais/contemporâneas.

 

 

ST 40 - FRONTEIRAS, TERRITORIALIDADES E DIVERSIDADES SOCIOAMBIENTAIS

 

Coordenação:

Márcia Maria de Oliveira - UFRR
Verônica Prudente – UFRR

Marielys Briceno Altuve (Educanorte/UFRR)

 

 

Resumo do Simpósio Temático: O Simpósio Temático: “Fronteiras, territorialidades e diversidades socioambientais” é parte do subprojeto do Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação (PDPG) na Amazônia Legal que acolherá comunicações de pesquisas finalizadas ou em andamento relacionadas a: circularidades e interseccionalidades na Amazônia; processos de reconfiguração espacial, territorial e identitária de migrantes internos e internacionais, povos indígenas e Comunidades Tradicionais; narrativas e oralidades; intersecções de gênero, raça/etnia e classe social; educação intercultural; literatura indígena; deslocamentos migratórios e mobilidades; reterritorialidades dos povos indígenas nas cidades; princípios da Ecologia Integral; preceitos do Bem-Viver e do cuidado da Casa Comum; fronteiras e sociobiodiversidade na Amazônia na perspectiva interdisciplinar; processos sociais e simbólicos; experiências transfronteiriças.

 

ST 41 - POVOS INDÍGENAS, MEMÓRIAS ANCESTRAIS E O ENSINO DA ETNOHISTÓRIA

 

Coordenação:

Vanderlúcia da Silva Ponte - Universidade Federal do Pará (UFPA)

Magno kamiran Tembé – Escola Estadual Francisco Magno Tembé

Érico Alves Silva Muniz - Universidade Federal do Pará (UFPA)

 

Resumo do Simpósio Temático: A partir da década de 1970 o campo da história indígena tomou novos rumos, graças, em grande medida, ao diálogo interdisciplinar entre história e antropologia. Ainda que esse campo tenha tido grande impulso, ainda é lacunar o debate da etnohistória na perspectiva do ensino. Como salientou John Monteiro (2003), o projeto do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro ( IHGB), gestado pelas ideias de Von Martius e Adolfo Varnhagen não só deslegitimaram os indígenas na construção do Projeto Nacional, como negaram-lhes a possibilidade de uma história indígena, alicerçando, assim, na historiografia brasileira, o lugar dos indígenas ao passado, ao registro museológico e, portanto, consolidando no pensamento social brasileiro, como podemos constatar nos livros didáticos até hoje, a imagem dos indígenas ao século XIX, como os ancestrais míticos da nação. O Seminário Temático se propõe a debater os processos que produziram o esquecimento e as memórias dos povos indígenas, sobretudo os dispositivos do poder colonial e as agências indígenas para restituir suas etnohistórias. As transformações sociais e históricas operadas no campo indígena e do indigenismo serão tratadas como fenômenos socioculturais envolvendo dimensões da etnohistória e da cosmologia, explorando aspectos contraditórios e ambíguos nas relações sociais, considerando também os contextos intersocietários e as dimensões da memória ancestral, com que se busca compreender o protagonismo e a “agency” permanentemente exercida pelos indígenas, seja por meio de festas-rituais, de narrativas orais, objetos e artefatos.

 

ST 42 - AS SOCIEDADES INDÍGENAS NO PERÍODO REPUBLICANO: AS FONTES E SEUS USOS NA COMPREENSÃO DE SUAS AGÊNCIAS.

 

Coordenação:

Cesar de Miranda e Lemos – Professor do Instituto de História/IH-UFRJ.

Maria Antonia Menezes (PPGH/UFF).

Vitória Luyza Cardoso Barbosa (PPGHIS/UFRJ)

 

Resumo do Simpósio Temático: O presente Simpósio Temático objetiva receber trabalhos e pesquisas voltados para a História Indígena, baseados nos saberes historiográficos, etnohistóricos e/ou no Ensino de História Indígena e no saber histórico escolar, que abordem as diversas formas de protagonismo exercidas pelos povos indígenas durante o período republicano, considerando as relações críticas entre as políticas indigenistas e as políticas indígenas na contemporaneidade. Tomando como exemplo a recente parceria para cooperação técnica entre a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e o Arquivo Nacional/AN, que visa unir forças em prol de uma política de gestão documental e arquivística com ênfase no direito à memória e às histórias dos povos indígenas, este Simpósio receberá produções que debatam os lugares das fontes na compreensão das agências indígenas. Serão bem-vindos trabalhos direcionados para temas como noções de produção do conhecimento como estudos de casos e suas historicidades, Justiça de Transição e reconhecimento de direitos, polissemia das fontes, oralidade e a pluralidade de lugares e arquivos de memórias sobre a temática em tela.

 

 

ST 43 - O INDÍGENA COMO O « OUTRO » NAS CIRCULAÇÕES TRANSCULTURAIS

Coordenação:

Maria Elizabeth Chaves de Mello (UFF/CNPq/FAPERJ)

Maria Ruth Machado Fellows (UERJ)

 

Resumo do Simpósio Temático: O simpósio « O indígena como o outro, nas circulações transculturais » propõe uma reflexão sobre o encontro entre povos, quando o outro é o nativo, o indígena, e o mesmo é o supostamente ‘civilizado’, europeu e branco. Esse encontro provoca, ao mesmo tempo, arrogância, julgamentos preconceituosos, mas também deliciosas descobertas, empatia, solidariedade humana. Na Europa, desde o Renascimento, viajantes, aventureiros, partem em viagem, atraídos pelas narrativas sobre o Novo Mundo. Muitos deles passam a escrever para contar suas próprias aventuras. Muitos missionários também escrevem sobre os povos com os quais entram em contato. Esses textos estão repletos de histórias fantásticas, impregnadas do imaginário, o que atrai e repele os leitores, que ficam fascinados, mas, ao mesmo tempo, incrédulos diante do que leem. Nosso simpósio propõe discussões sobre essa troca de olhares e sobre a recepção do público leitor, diante desse intercâmbio de povos, línguas e culturas. Esse diálogo de culturas, na literatura de viagem e nas narrativas ficcionais, em poemas e outros gêneros textuais, contribuíram e contribuem para a formação da identidade nacional dos povos americanos. Nosso simpósio visa estudar e refletir sobre as relações interculturais resultantes dessas descobertas de outros mundos, outras culturas, outros povos. Nossas reflexões se originam na leitura de textos de viajantes estrangeiros que vieram ao Brasil, aqui viveram algum tempo e escreveram sobre o que viram dos povos originários. Mas pouco se tem de material escrito sobre o que diz o outro, o indígena, o que enriqueceria as discussões sobre as circulações transculturais entre o Brasil e a Europa.

 

 

ST 44 - ANCESTRALIDADE INDÍGENA NO NORDESTE DO BRASIL

Coordenação:

Takamara Karirí Tapuia Tarairiú (Marinalva Valdevino dos Santos) - UFRN/UFCG

Resumo do Simpósio Temático: A região nordeste do Brasil foi palco dos primeiros contatos colonizadores, sofreu e sofre com os efeitos da colonização que ainda está em curso na nossa sociedade. Por isso, é pertinente discutir, e compreender as realidades que fizeram emergir diversos contextos problemáticos frutos da colonialidade nessa região. O pensamento indígena é estruturado com base em vínculos com a mãe terra e a vivência imersas nas cosmologias sobre sua realidade. Essa forma de viver conectada a terra e a vivência coletiva não se extingue pela mão da colonização, pois aprendemos e seguimos um modo de vida que não se faz na linearidade de um tempo imposto pelo homem branco, mas, é atemporal e nos leva ao contato direto com todos os nossos encantados, a ancestralidade sagrada que nos orienta e fortalece para seguirmos adiante. Ensinando nossas sementes futuras a brotarem e abrindo caminho para esse florescimento. Por isso, todas as formas de nos silenciar fizeram surgir muitos entroncamentos, resistências e dores. Tivemos que nos adaptar e fazer fluir nossas narrativas por diversas trilhas diferentes. No entanto, os povos originários do nordeste do Brasil enfrentam diversos preconceitos na esfera racial, xenofóbica e misógina, entre outros, pois, por muito tempo foi incorporada a ideologia que no nordeste do país não havia indígenas, ou que estes foram assimilados pelo desenvolvimento e surgimento das cidades. Temos o compromisso e o comprometimento de resistir e gritar o contrário, pelo sangue dos nossos e pelas futuras gerações. É necessário fundar epistemologias que dialoguem com diversidade de saberes, principalmente quando questionam a extinção de povos que, vivos, resistem.

 

 

ST 45 - OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA: DA EDUCAÇÃO BÁSICA À FORMAÇÃO SUPERIOR


Coordenação:

Maxim Repetto – UFRR

Monique Linciano de Azevedo Costa - UFRR

 

Resumo do Simpósio Temático: O presente simpósio tem por objetivo promover um debate e troca de experiências sobre os desafios da educação escolar indígena na Amazônia, no Brasil e nas Américas. Podem ser apresentados trabalhos que tragam experiências inovadoras e problematizações sobre este campo de estudo e debate, o qual envolve: práticas pedagógicas e propostas curriculares na educação básica, o ensino de línguas e os desafios linguísticos, os processos de alfabetização e letramento, o ensino de ciências, assim como o estudo da história e das ciências sociais, até a educação especial e a educação de jovens e adultos, inclusive, o acesso, a permanência e as ações afirmativas na formação superior, tanto na graduação como na pós-graduação. Dessa forma, buscamos debater, de forma abrangente, as diferentes situações e dilemas, conflitos e contradições, mas também propostas inovadoras, as conquistas e esperanças educacionais que enfrentam professores e estudantes indígenas.

 

 

ST 46 - LITERATURAS INDÍGENAS: DOS SABERES ANCESTRAIS AO MUNDO CONTEMPORÂNEO


Coordenação:

Fábio Almeida de Carvalho - UFRR

Isabel Maria Fonseca - UFRR

Izabela Leal - UFPA


Este simpósio tem como objetivo dar visibilidade às diversas formas de manifestação literária produzidas pelos povos indígenas, incluindo tanto as artes verbais tradicionais como as produções contemporâneas. Atualmente, a literatura indígena representa uma verdadeira novidade no concerto da criação cultural e da inteligência analítica brasileira, a qual se autentica a despeito de uma tradição de caráter eminentemente etnocêntrico que se estende desde o início do processo colonial, e que serviu de esteio para uma tradição crítica que denegou o estatuto de arte a diferentes tipos de artefatos produzidos pelos povos originários. Diante desse contexto, é possível afirmar que os textos indígenas passaram a se destacar por razões diversas, em que sobressaem o desenvolvimento de formas de pensar e proteger a natureza ante a devastação ambiental produzida pelos modos de exploração capitalista e a formulação de denúncias sobre a violência colonial e imperialista contra grupos minoritários e subalternizados, oriundos dos povos originários das Américas no tecido social dos estados nacionais modernos. Atentar para a importância dessas questões é tarefa essencial para a construção de um mundo mais plural e diverso, no qual os saberes ancestrais desempenhariam um papel determinante para a compreensão do contemporâneo, como nos ensina Davi Kopenawa. Este simpósio acolhe trabalhos que reflitam acerca das inquietações propostas acima.

 

 

ST 47 - RESISTÊNCIA, ALTERIDADE E AUTODETERMINAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL: DIMENSÕES INTERCULTURAIS E EPISTÊMICAS, DA COLÔNIA AO TEMPO PRESENTE


Coordenação:

Eduardo Gomes da Silva Filho - Universidade Federal de Roraima-UFRR

Elemir Soare Martins - (Guarani Kaiowá) - Universidade Federal da Grande Dourados-UFGD

Resumo do Simpósio Temático: Este simpósio temático propõe uma reflexão profunda sobre as formas de resistência, alteridade e autodeterminação dos povos indígenas do Brasil ao longo da história, desde o período colonial até os dias atuais. Para tanto, exploraremos as dimensões interculturais, destacando os impactos das políticas coloniais, a violência histórica e as estratégias de resistência que moldam a identidade indígena. Além disso, examinaremos as dimensões epistêmicas, enfocando os conhecimentos tradicionais, as cosmologias e as nuances próprias dessas comunidades. Buscar-se-á, também, analisar o contexto contemporâneo, considerando questões como demarcação de terras, preservação ambiental, participação política, pajelanças e diálogo intercultural. Pretendemos oferecer um espaço de discussão interdisciplinar de modo a evidenciar as transformações sociais e ambientais enfrentadas pelas diversas etnias, promovendo um entendimento mais amplo acerca de suas realidades e desafios. Ao promover essa discussão, almejamos contribuir para a valorização dessas vozes indígenas, ressignificando seu protagonismo e consolidando o respeito à diversidade cultural como pilar essencial para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e, acima de tudo, com espírito crítico livre!

 

 

ST 48 - CRIMES E RESISTÊNCIAS: ESTADO E EMPRESAS CONTRA POVOS ORIGINÁRIOS NA AMAZÔNIA BRASILEIRA DURANTE A DITADURA


Coordenação:

Gilberto de Souza Marques (UFPA)

Indira Rocha Marques (UFPA)

Steven S. Zwicker (MPF-SP),

Christiane Nogueira (MPT-CE),

Maximiliano Menezes Tukano (liderança Tukano)


Resumo do Simpósio Temático: A Comissão Nacional da Verdade registrou 434 mortos e desaparecidos durante a ditadura empresarial-militar. Mas não estão contados os indígenas. Parakanã e outros povos foram expulsos (e vários mortos) de seus territórios para a construção da hidrelétrica de Tucuruí-PA. Os Cinta Larga (MT-RO) foram estimados em mais de 5 mil mortos desde antes da ditadura. Os Avá-Canoeiro, Javaé e Karajá enfrentaram governo, garimpeiros e latifundiários norte de Goiás (atual estado do Tocantins). O mesmo aconteceu com os povos do rio Xingu (Pará), incluindo Kayapó, Juruna e os Waiãpi do Amapá. A Amazônia era um imenso “espaço vazio”, segundo o governo. Os indígenas não eram considerados seres humanos. Essa política representou o genocídio de povos originários. Foi o que aconteceu durante a construção da rodovia Transamazônica, da Perimetral Norte e da BR-174. A Paranapanema (construtora e mineradora) se apropriou (ou controlou) territórios indígenas no sul do Amazonas, em Rondônia, Mato Grosso e Roraima (também esteve presente no Amapá e no Pará), extraindo as riquezas. Para tal, cometeu violações terríveis: sequestro, trabalho escravo, estupro, proibição de rituais e uso da língua original, danos ambientais, disseminação de doenças e do consumo de álcool etc. No Amazonas esteve no sul violando direitos dos Tupi-Kagwahiva (Tenharim, Jiahui, Parintim...), no alto rio Negro (Tukano, Dessano, Baniwa, Yanomami) e no norte (Waimiri-Atroari/Kinja). A BR-174 viabilizou a extração de cassiterita pela Taboca-Paranapanema na região do Pitinga tomada do território Waimiri-Atroari. Por meio da empresa paramilitar Sacopã, os indígenas do Pitinga (Kinja Tikirya) foram intimidados e/ou mortos. Os demais Kinja afirmam: “Taboca chegou, Tikirya sumiu”. Em 1972 eles foram contados em torno de 3 mil pessoas. Em 1983 haviam sido reduzidos a 332 Kinja. Os Jiahui, de mais de 1 mil pessoas, foram reduzidos a seis indígenas. Os Piripkura (MT) estão reduzidos atualmente a 3 pessoas. Ainda que estes relatos sejam de genocídios, é importante evidenciar que esses povos só estão vivos, e crescendo, porque resistiram (e continuam resistindo). O simpósio objetiva apresentar uma síntese de violações contra povos originários na Amazônia brasileira durante a ditadura. O foco principal é a Paranapanema. A investigação foi conduzida por um grupo de pesquisadores em conjunto com procuradores federais. Ela ainda está em curso, mas o Ministério Público já discute com as vítimas as reparações (financeiras e não-financeiras) a serem cobradas.

 

ST 49 - TERRITÓRIOS INDÍGENAS E POLÍTICAS DE PROTEÇÃO TERRITORIAIS EM ABYA YALA


Coordenação:

Renata Ferreira de Oliveira – Doutora UFBA
Professora do IFNMG campus Salinas e assessora da Secretaria de Direitos Territoriais Indígenas do Ministério dos Povos Indígenas

Joanan Marques de Mendonça – Doutorando do PPHIST – UFPA

 

Resumo do Simpósio Temático: O simpósio pretende reunir pesquisas que abordam os distintos processos de territorialização impostos aos povos indígenas ao longo da História da América, bem como, a política indígena para a proteção e manutenção de seus territórios originários. Nesse sentido, é importante o diálogo com os estudos histórico-antropológicos que tem problematizado a formação das Nações a partir da expansão das fronteiras estatais em áreas indígenas. Importante para compreendermos esse fenômeno histórico, o conceito de territorialidade segundo João Pacheco de Oliveira (1998) pode ser entendido como o esforço coletivo de determinado grupo social para ocupar e controlar fisicamente e simbolicamente determinado espaço, transformando-o em seu território. Estes processos surgem em contextos de conflitos, onde a expansão das fronteiras do Estado-nação se impôs sobre distintos grupos étnicos, que sofreram uma dupla expropriação: uma quando reduzidos e territorializados em aldeamentos, por exemplo, e outra quando perderam suas terras reservadas ou doadas para a expansão da colonização. Contra esse duplo ataque os povos indígenas tiveram que constantemente reelaborar elementos de unificação dos grupos na luta para manter e proteger os seus territórios. Processo que hoje compõe pautas como a Bem viver. Assim, a presente proposta de simpósio temático, almeja ser um espaço para a apresentação de pesquisas novas e em andamento num recorte temporal de longa duração, que fomentem o debate sobre a problemática dos territórios indígenas e as estratégias acionadas por eles, para permanecerem vivos em defesa da vida e de seus patrimônios, as maneiras de realizarem a proteção territorial e ambiental, resguardarem as suas identidades e reelaborarem as táticas de lutas.

 

 

ST 50 - PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO DE RORAIMA: PESQUISA, PROTEÇÃO E DIFUSÃO

 

Coordenação:

Edithe da Silva Pereira - Museu Paraense Emílio Goeldi

Claide de Paula Moraes - Universidade Federal do Oeste do Pará

Resumo do Simpósio Temático: Roraima tem um importante patrimônio arqueológico conhecido, principalmente, pelos sítios com pinturas rupestres que abundam neste Estado. Mas há outros vestígios arqueológicos como urnas funerárias, bacias de polimento e afiadores, artefatos líticos, cerâmica etc., que são o registro material da ancestralidade da presença indígena no Estado. São poucos os lugares no mundo onde antigas tradições culturais são mantidas permitindo que povos indígenas atuais se vinculem aos sítios arqueológicos. Roraima é um destes lugares. No entanto, as pesquisas arqueológicas acadêmicas em Roraima ainda são incipientes e as pesquisas de contrato não vão além do cadastro de sítios arqueológicos, mas que revelam o enorme potencial arqueológico existente no Estado. Este patrimônio, no entanto, tem sido historicamente destruído sem que haja por parte do Poder Público medidas eficazes para evitar tal situação, indo de encontro à Constituição Brasileira que reconhece o patrimônio arqueológico como um bem cultural do país, tendo o Poder Público, em todas as suas esferas, o dever de proteger e de impedir sua evasão, destruição e mutilação. Este Simpósio temático pretende apresentar o estado atual das pesquisas arqueológicas acadêmicas realizadas em Roraima, ações de conservação em sítios arqueológicos e pesquisas colaborativas com povos indígenas.

 

 

ST 51 - PRÁCTICAS DE RESISTENCIAS Y SOLIDARIDADES DESDE PUEBLOS ORIGINARIOS EN ABYA YALA (1990-2022)

 

Coordenação:

Yerko Nicolás Toledo Valenzuela - Universidad Pablo de Olavide, Sevilla

 

Resumen del Simposio Temático: El simposio invita a estudiantes de post-grados e investigadores/as que hayan desarrollado o bien, se encuentren en proceso de construcción de investigaciones provenientes de distintas disciplinas de las ciencias sociales y humanidades cuyo objeto de investigación se relaciona las distintas prácticas de resistencia que han ido construyendo a la luz de la continuidad de procesos de despojo, opresión y dominación en ABYA YALA que repercuten en el buen vivir, repercutiendo en procesos identitarios, cosmovisionales, políticos, sociales y económicos que afectan gravemente la pervivencia de pueblos naciones pre-existentes. En este contexto, es de interés analizar las distintas expresiones políticas, sociales, culturales e históricas que permiten hacer frente a la hegemonía del capitalismo salvaje manifestando, entre otros aspectos en dinámicas extractivistas. A su vez, el seminario invita a reflexionar sobre las relaciones de solidaridad que se han ido construyendo a partir de una serie acontecimientos y coyunturas que les afectan, tomando en consideración el aporte que pueden realizar desde el interior de las naciones originarias como también, otras experiencia de solidaridad que aportan a las luchas desplegadas por aquellas expresiones colectivas de la diversidad de pueblos.

En este sentido, es de interés situar el proceso de comunicación de las experiencias de investigación vinculada al simposio temático en el marco de la historia reciente (fines del siglo XX y primeras décadas del siglo XXI), ya que constituye un escenario histórico propicio para la emergencia del accionar colectivo de pueblos indígenas, identificando las continuidades con el largo plazo, el rol de la memoria oral y colectiva en el accionar colectivo desplegado en el tiempo presente, las distintas lecturas interpretativas de las realidades que llevan a movilizarse como también, aquellas estructuras de oportunidades políticas identificadas por los pueblos en escenarios políticos históricos de mayor apertura a la discusión intercultural crítica.

Por último, el simposio contribuiría al debate sobre el accionar de los distintos Estados e intereses económicos en juego y, como éstos transgreden los derechos humanos colectivos de pueblos originarios en ABYA YALA.

 

 

ST 52 - HISTÓRIA INDÍGENA DA AMAZÔNIA: CULTURA, TRABALHO, CIDADE, MOVIMENTOS E PROTAGONISMOS

 

Coordenação:

Bruno Miranda Braga - Faculdade Católica do Amazonas e Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas IGHA

Laiana Pereira dos Santos - Secretaria de Estado de Educação de Roraima SEED/RR

 

Resumo do Simpósio Temático: O ST propõe reunir pesquisadores e pesquisadoras interessados em discutir a Amazônia Indígena e suas diferentes histórias que se cruzam em alguns momentos. Partindo da aceitação dos povos indígenas como construtores de sua história, é possível seja nas fontes históricas, ou etnográficas, seja nas experiências dos sujeitos verificar ações e ações em prol de bem viver e bem-estar no seu território, e nas suas aldeias. Entendemos assim que os indígenas estavam e estão presentes na Amazônia em âmbito cultural, nos diferentes fazeres e ofícios de trabalho, nas cidades e atuando nos movimentos sempre, mesmo que “narrativas colonizadoras” tenham em vezes tentado os silenciar. Estudar os indígenas nesses contextos é tarefa que exige, especialmente no caso traçar uma etnohistória, isto é, uma narrativa que evidencie como eles foram se estabelecendo, como “sumiram” ou foram silenciados da oficialidade em alguns momentos e como está seu devir, sua etnogênese. Pensar os indígenas pelo viés cultural, no trabalho, na cidade, e na história requer “virar o jogo”, ouvir àqueles que não foram ouvidos. O ST também se propõe para além do campo acadêmico, de pesquisa grosso modo, a receber lideranças, membros, professores e estudantes indígenas tornando o mesmo um encontro de ouvir, de dialogar e de perceber a diversidade étnico-cultural e humana que é a Amazônia. Nesse sentido, serão aceitos trabalhos que versem sobre as ações dos povos indígenas em território amazônico em diferentes esferas e temporalidades, optamos em não por uma baliza temporal objetivando agregar, conversar e conhecer amplamente àquilo que os povos indígenas anseiam.

 

 

ST 53 - MAPEAMENTO DA LITERATURA INDÍGENA CONTEMPORÂNEA NA ABYA YALA: TENDÊNCIAS E PERSPECTIVAS

 

Coordenação:

Profa. Dra. Rita Olivieri-Godet (Université Rennes 2 / Institut Universitaire de France)

Profa. Dra. Rubelise da Cunha (Universidade Federal do Rio Grande)


Resumo do Simpósio Temático: No contexto atual do continente americano – a ABYA YALA dos povos originários – a presença impactante de uma produção literária de autores indígenas que se apropriam das línguas europeias colonizadoras para subverterem os paradigmas da colonialidade desempenha um papel importante no processo de autorrepresentação e de superação da invisibilização étnica dos povos indígenas. Este simpósio propõe-se a esboçar um mapeamento de vozes relevantes no espaço literário contemporâneo de Abya Yala, dedicando-se a um corpus literário de autoria indígena, publicado em português, francês, inglês e espanhol, destacando seus principais eixos temáticos e procedimentos estéticos. A perspectiva comparada, abrindo-se a um diálogo para além das fronteiras nacionais, é bem-vinda, embora não seja exclusiva. As propostas submetidas ao simpósio devem contemplar as questões atinentes a essa produção. Entre outras pistas que se oferecem à reflexão, pode-se destacar: as relações ao espaço e à temporalidade; a inscrição do corpo no espaço; o resgate da memória ancestral e sua transmissão intergeracional; a permeabilidade entre a matéria indígena ancestral (narrativas orais, míticas) e a produção escrita; a dimensão histórica da territorialidade autóctone; as interações entre o humano e o não humano em consonância com um imaginário de ampliação do eu; a relação da escrita com a práxis política; a fricção linguística e cultural com as culturas nacionais institucionalizadas.

 

 

ST 54 - DESLOCAMENTOS E TERRITORIALIZAÇÕES DOS POVOS INDÍGENAS NO IMPÉRIO PORTUGUÊS (XVI-XIX)


Coordenação:

Dr. Reinaldo Forte Carvalho -Universidade de Pernambuco – UPE Campus Petrolina

Dr. Almir Leal de Oliveira - Universidade Federal do Ceará – UFC.

 

Resumo do Simpósio Temático: Este Simpósio Temático tem como objetivo promover debate sobre a constituição de novos espaços coloniais a partir da posse dos territórios indígenas no período das conquistas. Nesta lógica, justifica-se essa proposta ao lançar um olhar sobre as conquistas d’além mar, buscando entender a multiplicidade e constituição de eventos, narrativas e relatos históricos a partir dos diversos deslocamentos/trajetórias na formação de novas territorialidades/identidades sejam espaciais/geográficas, político/econômica e ou, sócio/culturais que foram se constituindo a partir das várias negociações, embates e conflitos entre os vários sujeitos históricos no contexto do Ultramar. Segundo João Pacheco de Oliveira, uma nova fase é inaugurada em relação da sociedade com o território, pois deflagra transformações nas territorializações implicada nas modificações com sendo “um processo de reorganização social” (2004, p. 22). Conforme pontuou João Pacheco de Oliveira, estas transformações e redefinições nos levam a compreender que o processo de territorialização não pode e nem deve ser entendido como “de mão única, dirigido externamente e homogeneizador, pois a sua atualização pelos indígenas conduz justamente ao contrário” (2004, p. 28). Diante disto, os povos nativos foram sujeitos ativos e que estes também fizeram usos de leis e práticas para garantirem o uso de suas terras, proteção e diferença ao longo do processo histórico de formação sócio-espacial.

Palavras-chave: Deslocamentos, territórios, Império português.

 

 

ST 55 - (DES)APRENDÊNCIAS: PRÁTICAS E ESTRATÉGIAS DE LEITURA LITERÁRIA ENVOLVENDO LITERATURA INDÍGENA CONTEMPORÂNEA

 

Coordenação:

Rinah de Araújo Souto - Universidade Federal da Paraíba
Joel Vieira da Silva Filho - Universidade Federal de Alagoas

Resumo do Simpósio Temático: Este simpósio temático tem o objetivo de contribuir com o percurso afirmativo da lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. Nesse sentido, acolhe pesquisas e relatos de experiência de ensino e extensão que envolvam temas relacionados às práticas e estratégias de leitura literária convocadas no trabalho com a literatura indígena contemporânea em Pindorama, nos contextos formais e não formais de educação. Movidos por uma ideia de educação que se faz como descolonização - ou nos modelos indígenas, como retomada - buscamos convidar os/as participantes para uma grande roda de partilha de saberes e sabores sobre caminhos teórico-metodológicos adotados nas abordagens didáticas e ações educativas propostas, sejam elas de viés comparado, inter/multi/transdisciplinar, interartes, dentre outros. Interessam-nos, igualmente, propostas que questionem/discutam o não cumprimento da lei 11.645/08, bem como trabalhos que tratem da elaboração e análise de materiais didáticos utilizados em escolas diferenciadas indígenas e/ou escolas não indígenas, nos quais a literatura indígena esteja no centro do debate como força motriz de sensibilização pelo uso literário da palavra em seu estado poético, narrado, cantado, bailado, performado e, sobretudo, sonhado, uma vez que o sonho pode ser compreendido como uma via de acesso ao conhecimento em sua diversidade, reflorestando mentes e corações.

 

 

ST 56 - POVOS INDÍGENAS E A CIRCULAÇÃO DE RENDA

Coordenação:

Érica Fabricia Melo Moreira - Universidade Federal do Amazonas - UFAM
Daniela Gato Aguilera - Universidade Federal do Amazonas – UFAM

Marilene Aicate Peres - Universidade Federal do Amazonas - UFAM

Resumo do Simpósio Temático: Historicamente a circulação de objetos e riquezas vindos da terra de suas aldeias e comunidades, as formas de valoração e o estabelecimento de condições de trocas e materiais para a manutenção da vida cotidiana foram assuntos bastante explorados na etnologia indígena ao longo dos anos por um viés ocidental e homogeneizante. Nos motiva pensar a partir das mais diversas narrativas indígenas e não-indígenas, como essa circulação de renda se relaciona com noções de reciprocidade, trocas, crédito e dívida no contexto de aldeias e comunidades indígenas, já que, ao considerarmos os povos indígenas como sujeitos e protagonistas de suas próprias epistemes percebemos que a diversidade de valores, conceitos e dádivas escapa a qualquer mecanismo de classificação, sobretudo no contexto contemporâneo e nas diversas realidades socio-econômicas de povos indígenas que habitam a américa e que inserem no seu modo de viver a circulação do dinheiro seja através da participação em políticas públicas de transferência de renda à nível regional, estadual e nacional, seja pela venda de produtos artesanais ou de produtos oriundos do extrativismo como peixes, sementes, óleos, castanhas, tubérculos, etc... Tendo isso em vista, a proposta do simpósio temático é debater como a circulação de dinheiro através da transferências de rendas, economias domésticas, trocas, etc. as hierarquias sociais geradas pelo acesso desigual a ele e as técnicas e saberes de gestão desses recursos se interseccionam com a arte, a educação, a cultura, a ancestralidade e as perspectivas para o bem-viver a partir de contextos e realidades diversas.

 

 

ST 57 - LÍNGUA, CONHECIMENTOS TRADICIONAIS E DIVERSIDADE BIOCULTURAL E LINGUÍSTICA NA AMAZÔNIA

 

Coordenação:

Sidiney Facundes, Univ. Federal do Pará

Pirjo Kristiina Virtanen, Univ. de Helsinque

Francisco Moura Cândido Apurinã, Univ. de Helsinque, Instituto Pupỹkary


Resumo do Simpósio Temático: Na Declaração de Belém (1988) o meio acadêmico reconheceu que a diversidade biológica está associada à diversidade cultural e linguística de grupos indígenas. As relações desses povos com o seu ambiente natural – expressas nas suas tradições orais e cerimoniais, nas línguas originárias, e nas suas cosmologias, favorecem a manutenção das diferentes espécies no território que ocupam. A diversidade biocultural constitui-se do entrelace dos elementos biológicos e culturais que fazem parte da interação entre diferentes seres (POSEY e DUTFIELD, 1996). Na linguística, a partir de HALE et al (1992), vários trabalhos têm explorado essa linha de pesquisa (MAFFI, 2001). Solicitamos trabalhos sobre a interação entre elementos da diversidade biocultural e linguística na Amazônia, baseados em conceitos, métodos e tecnologias que ajudem a compreender melhor e manter essa diversidade no contexto moderno e digital. Por exemplo, podemos examinar como a noção de ´sagrado´ se reflete nas interações com a natureza, como isso é registrado no vocabulário da língua, nas narrativas tradicionais, etc. Trabalhos sobre a análise, descrição, documentação e fortalecimento dessas diversidades serão bem-vindos, abordando domínios em que línguas se entrelaçam com os conhecimentos e experiências bioculturais, tais como terminologias da fauna e flora, sistemas de parentesco, sistemas de classificação nominal, toponímia (ou outros subdomínios da onomástica), narrativas e cantos tradicionais, reconstruções históricas, entre outros. Trabalhos sobre o direito à proteção do conhecimento associado a essas diversidades também são bem-vindos.

 

 

ST 58 - PROTAGONISMO INDÍGENA E BUSCA DO BEM-VIVER

 

Coordenação:

Vânia Losada Moreira (UFRRJ)

Márcio Couto Henrique (UFPA)

 

Resumo do Simpósio Temático: Nos últimos anos, o campo da História Indígena tem avançado no sentido de revelar as múltiplas formas de interação das sociedades indígenas entre si e com as chamadas sociedades coloniais e nacionais.  Esse Simpósio Temático pretende receber trabalhos que apresentem os modos distintos com que as sociedades indígenas atualizaram a busca do Bem viver no contato com os mais diversos sujeitos e, também, nas mais distintas temporalidades. Experiências de protagonismo indígena no campo do Ensino da História, da educação, da política, da cultura, das mídias digitais, da arte, das práticas religiosas, entre outros, podem revelar a perspicácia dessas coletividades no sentido de preservar as condições necessárias para agenciar as regras de produção e (re)invenção de si mesmas ao longo do tempo, atualizando a noção do Bem viver em seus próprios termos.

 

 

ST 59 - AS MEDICINAS INDÍGENAS E A VALORIZAÇÃO DE SEUS ESPECIALISTAS: UMA ABORDAGEM NECESSÁRIA PARA O BEM VIVER.

 

Coordenação:

Dra. Putira Sacuena, indígena Baré (SESAI MS) - Doutora em Antropologia Forense UFPA.
Dr. Edson Oliveira (AgSUS MS) - Doutor em Ciências Farmacêuticas (Linha de pesquisa em Saúde Indígena) UnB.

Resumo do Simpósio Temático: O contexto do Bem Viver na saúde indígena incorpora aspectos complexos, transversais e interculturais. As Medicinas Indígenas tem recebido uma abordagem inédita dentro das discussões e ações em políticas públicas, mas há a necessidade de investimentos e ampla discussão para seu fortalecimento, tanto no âmbito indígena quanto acadêmico.  Na oportunidade deste Simpósio Temático objetiva-se discutir o fortalecimento das Medicinas Indígenas e de seus especialistas como principais atores na promoção e proteção do Bem Viver indígena. Espera-se com ele uma maciça presença de atores indígenas e interessados na discussão da valorização das Medicinas Indígenas e de seus protagonistas. Este Simpósio Temático enriquecerá o rol de discussões do V COIMI, como também trará  contribuições históricas na história das Medicinas Indígenas como protagonista do Bem Viver Indígena.

 

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